O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou nesta quarta-feira (24) sobre as manifestações de domingo contra a PEC da Blindagem e a proposta de anistia a condenados pela trama golpista. Ele classificou os atos como um “sintoma de desconexão do que está sendo feito com vontade das pessoas”, referindo-se à PEC, que, segundo ele, nasceu como um “remédio” para proteger o parlamento, mas acabou se transformando em outra coisa.
“Algo que nasceu para ser um remédio para proteger o parlamento, aquilo que a Constituição trouxe, a imunidade formal, material do parlamentar, a imunidade ou garantia que o parlamentar tem que ter de exercer o seu mandato livremente, com independência, se transformou em outra coisa”, afirmou. Ele acrescentou que, quando a população percebe que a medida caminha para privilegiar a impunidade, ocorre revolta.
Apesar da crítica à PEC, Tarcísio defendeu a proposta de anistia para condenados da tentativa de golpe, argumentando que pode representar uma “paz dialogada” e não um incentivo à impunidade. “O que peço é que haja sabedoria, que se pense nas pessoas que tiveram apenamentos desproporcionais, as pessoas do 8 de janeiro. Acho que temos remédios jurídicos para resolver isso. E sempre acreditei que o PL pode representar o que a gente espera: uma paz dialogada”, disse.
Questionado sobre a alternativa da dosimetria, proposta defendida por bolsonaristas em vez de anistia ampla, afirmou esperar que “seja feito o melhor para as pessoas do 8 de janeiro e todo mundo que teve apenamento injusto, inclusive Bolsonaro”.
O governador também modulou o tom em relação ao ato de 7 de setembro na Avenida Paulista. Nas semanas anteriores, ele participou de articulações a favor da anistia, incluindo reuniões no Palácio dos Bandeirantes e viagens a Brasília, embora tenha cancelado um deslocamento planejado para 15 de setembro, alegando que o esforço necessário já havia sido feito.

