O Palácio do Planalto intensificou nos últimos dias as negociações com líderes partidários para garantir a aprovação do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), sem gerar desequilíbrio nas contas públicas. A proposta, prevista para votação na próxima semana, aumenta a isenção para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil e prevê desconto parcial para aqueles que recebem até R$ 7.350 por mês.
Para compensar a perda de arrecadação, o texto estabelece uma alíquota mínima para rendimentos acima de R$ 50 mil mensais (cerca de R$ 600 mil anuais), incluindo dividendos, com tributação progressiva que chega a 10% para quem recebe mais de R$ 1,2 milhão por ano.
Integrantes do governo alertam que a oposição e parte do Centrão podem apresentar emendas de plenário, aumentando ainda mais a faixa de isenção ou eliminando as compensações previstas. Segundo um deputado governista, qualquer mudança desse tipo forçaria o governo a escolher entre popularidade e responsabilidade fiscal, gerando impacto bilionário nas contas públicas.
Outro ponto de tensão é a liberação de emendas parlamentares, recursos do Orçamento que deputados e senadores destinam a obras e projetos em seus redutos. Algumas dessas verbas não têm execução obrigatória, dando ao Executivo margem para acelerar ou adiar os repasses.
Aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), relator da proposta, avaliam que a demora no pagamento dessas emendas pode prejudicar o clima político. Lira deve participar da reunião de líderes na terça-feira (23) para avaliar o cenário e tentar consolidar um acordo.
O debate sobre o IR ocorre em um contexto político tenso, marcado pelo posicionamento do PT contra a PEC da Blindagem, contrariando expectativas do Centrão, enquanto o União Brasil aprovou resolução exigindo que filiados deixem cargos no governo federal. Segundo parlamentares da base, o Centrão teme que a ampliação da isenção fortaleça a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dificulte projetos de oposição, como a eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2026.
Fontes da equipe econômica e da articulação política admitem que a aprovação dependerá não apenas da liberação de emendas, mas também da capacidade do Planalto de conter alterações de última hora e manter o texto dentro dos parâmetros negociados com o Ministério da Fazenda.
A expectativa é que, até a próxima semana, o governo apresente um acordo que permita aprovar a medida, conciliando o apelo popular com o compromisso de manter a responsabilidade fiscal.


