O deputado sul-matogrossense Marcos Pollon (PL) deve ser o parlamentar mais severamente punido entre os 14 envolvidos no motim que interrompeu os trabalhos da Câmara dos Deputados em agosto. O corregedor Diego Coronel (PSD-BA) recomendou a suspensão de até 120 dias do mandato do sul-matogrossense, segundo relatório obtido pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Na ocasião, Pollon se sentou na cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante a ocupação do plenário. O ato foi uma tentativa de pressionar pela votação de um projeto de anistia a investigados por participação em atos golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além da invasão, Pollon também foi acusado de ofender Motta com declarações depreciativas. “A anistia está na conta da p… do Motta. Nós queremos colocar o povo para enfrentar o Alexandre de Moraes, mas nós não podemos peitar o bosta do Hugo Motta, um baixinho de 1,60m”, teria dito o parlamentar, segundo o relatório. A ironia é que o presidente da Câmara tem 1,80m.
Sanção mais dura
Segundo parlamentares ouvidos em caráter reservado, o próprio Hugo Motta teria pedido que Pollon recebesse a punição mais pesada. O relatório inclui dois processos contra o deputado de Mato Grosso do Sul: um por ofensas à presidência da Câmara e outro por obstrução dos trabalhos ao ocupar a cadeira do presidente.
Em nota, a Corregedoria destacou que o parecer é opinativo e caberá à Mesa Diretora definir os encaminhamentos. “O papel da Corregedoria é institucional. Atuamos com imparcialidade, analisamos cada conduta de forma individual e cumprimos o nosso compromisso de agilidade, entregando nosso relatório passados 22 dias úteis da representação, ou seja, metade do prazo. Agora, cabe à Mesa decidir sobre as recomendações apresentadas”, disse Diego Coronel.
Outros envolvidos
Além do sul-matogrossense, outros parlamentares devem ser punidos, mas com sanções mais brandas. Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SP) podem ser suspensos por 30 dias. Já nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Júlia Zanatta (PL-SC) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) devem receber apenas censura escrita.
Ao todo, 14 deputados foram enquadrados no relatório. A deputada Camila Jara (PT-MS), também de Mato Grosso do Sul, não foi mencionada no documento, apesar de um episódio de atrito com Nikolas Ferreira durante a confusão.
Reação
Pollon afirmou que ainda não teve acesso ao parecer. “Não tive acesso ainda. Na segunda vou tomar pé da situação”, declarou. O parlamentar, que tem demonstrado insatisfação com o PL, também não confirmou se participará da filiação do ex-governador Reinaldo Azambuja ao partido, prevista para o próximo domingo (21).


