Quinta, 9 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

17°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quinta, 9 Julho 2026

DENÚNCIA

há 10 meses

A+ A-

Fábrica da JBS é alvo de denúncias por mau cheiro que afeta 100 mil moradores em Campo Grande

Deputado propõe suspensão de licença ambiental após anos de queixas sobre odor insuportável em oito bairros; Ministério Público confirma irregularidades e entra com ação contra a empresa

Cerca de 100 mil moradores de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, enfrentam há décadas um problema que persiste apesar de multas, protestos e ações judiciais: o mau cheiro vindo da fábrica de subprodutos da JBS, localizada na Avenida Duque de Caxias. Diante das inúmeras reclamações e de uma Ação Civil Pública em andamento, o deputado estadual Pedrossian Neto (PSD) apresentou um projeto que propõe a suspensão parcial das licenças ambientais da empresa.

A proposta, que já tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa, mira especificamente as linhas de produção de farinha de sangue e de ossos — conhecidas por liberar odores intensos e incômodos.

Alems

“É um cheiro insuportável, que compromete o bem-estar de mais de 100 mil pessoas. Isso não é apenas uma questão ambiental, é uma violação de direitos”, declarou o parlamentar, durante discurso na tribuna da ALEMS.

Problema histórico e resistência à solução

Relatos da população indicam que o mau cheiro atinge os bairros Nova Campo Grande, Jardim Carioca, Jardim Itália, Aeroporto, Jardim Zé Pereira, Vila Popular, Vila Silvia Regina e Bosque Santa Mônica II. Segundo Pedrossian, os odores vêm da queima e processamento de resíduos orgânicos na chamada "graxaria", setor da fábrica onde são produzidos ingredientes para ração animal.

Apesar de já ter sido multada pelo Ministério Público Estadual em R$ 100 mil, a JBS teria recusado um termo de ajustamento de conduta (TAC) proposto em 2024, alegando que as exigências já haviam sido cumpridas. No entanto, uma nova vistoria apontou o contrário: parte das medidas não foi implementada e os odores persistem.

“A própria perícia do Ministério Público confirmou a emissão contínua de gases fétidos. Mesmo com o plantio de eucaliptos como barreira natural, o mau cheiro continua invadindo casas, comércios e escolas da região”, afirma o texto do projeto.

Tramitação e possível suspensão de licença

O Projeto de Decreto Legislativo nº 08/2025 busca suspender a Licença de Operação nº 002241/2023 e a Licença de Instalação e Operação nº 002408/2023, ambas concedidas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e válidas até 2027 e 2028, respectivamente.

A relatoria na CCJR ficou a cargo do deputado Paulo Duarte (PSB), que ainda está analisando a proposta. Se considerada constitucional, a matéria segue para o plenário, onde será submetida a duas votações: uma sobre sua legalidade e outra sobre o mérito da proposta.

Pedrossian argumenta que a suspensão é uma medida técnica e temporária, que visa apenas os setores responsáveis pelos odores, sem afetar a operação principal do frigorífico. “Não queremos fechar a JBS, mas ela precisa se adequar. Se fosse uma padaria com irregularidade sanitária, já teria sido fechada temporariamente. Por que com essa empresa é diferente?”, questionou.

Apoio de outros parlamentares

O deputado Pedro Kemp (PT) também se pronunciou em apoio à medida, relembrando que as queixas são antigas e sistemáticas. “Denunciei esse problema pela primeira vez em 1998, quando era vereador. Nada mudou desde então. Está mais do que na hora de tomarmos uma atitude definitiva.”

Impactos à saúde e qualidade de vida

Moradores relatam problemas respiratórios, dores de cabeça e náuseas constantes. Vídeos exibidos por Pedrossian durante a sessão mostram depoimentos emocionados de moradores que, há anos, convivem com o problema sem qualquer perspectiva de solução.

A produção de farinha de ossos envolve etapas como moagem, cozimento e secagem de resíduos animais — um processo que, segundo o Ministério Público, libera substâncias odoríferas em desacordo com a Política Nacional do Meio Ambiente, caracterizando poluição.

Empresa permanece em silêncio

Procurada pela reportagem, a JBS não se manifestou até o fechamento desta matéria.

Veja também