A senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu publicamente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre em contato direto com o ex-presidente americano Donald Trump para discutir o recente tarifaço imposto aos produtos brasileiros. A cobrança foi feita durante visita da comissão de senadores aos Estados Unidos, da qual a parlamentar faz parte.
“O presidente Lula deveria ligar sim para o presidente Trump. Aliás, já passou da hora. O Brasil não pode ser refém do populismo e da vaidade de quem governa”, afirmou Tereza Cristina em publicação nas redes sociais, onde também explicou a missão da comitiva. Segundo ela, o grupo não tem função de negociar, mas de criar um ambiente favorável ao diálogo entre os dois países.
“Nossa missão é fomentar a reaproximação entre Brasil e Estados Unidos. Não cabe ao Senado negociar, mas sim buscar o clima de entendimento para proteger os brasileiros, pois as tarifas irão prejudicar todos, sem exceção”, explicou.
Além de Tereza Cristina, a comissão é composta por Nelsinho Trad (PSD-MS), que atua como presidente, além de Jaques Wagner (PT) e Fernando Farias (MDB) como membros titulares. Os senadores Marcos Pontes (PL), Esperidião Amin (PP), Rogério Carvalho (PT) e Carlos Viana (Podemos) participam como suplentes.
Resistência interna
A missão, no entanto, não é unânime entre os políticos brasileiros presentes nos Estados Unidos. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também está no país, declarou abertamente que trabalha contra o diálogo com os americanos sobre o tema.
“Sei que vindo deste tipo de pessoa, só haverá acordos de meio termo, que não é certo e nem errado”, criticou, sem citar diretamente Lula ou membros da comissão. Eduardo também fez críticas ao que chamou de injustiças no sistema judiciário brasileiro, afirmando que muitos políticos só se mobilizam quando interesses econômicos são atingidos.
A divergência de posições mostra o ambiente politicamente sensível em torno da crise comercial. O tarifaço imposto pelos Estados Unidos pode ter impacto direto em diversos setores da economia brasileira, especialmente no agronegócio.


