O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), mais conhecido como "Gordinho do Bolsonaro", será o responsável por mobilizar os produtores rurais no protesto nacional marcado para o próximo dia 3 de agosto, batizado de “Reaja Brasil”, em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ato foi anunciado nesta segunda-feira (21), no Congresso Nacional, e será uma resposta às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs medidas restritivas contra Bolsonaro, incluindo uso de tornozeleira eletrônica e proibição de uso das redes sociais.
A mobilização será coordenada em nível nacional por parlamentares aliados. O deputado Zé Trovão (PL-SC) ficará encarregado de reunir os caminhoneiros.
“Junto ao deputado Zé do Trovão seremos líderes de Mobilização Nacional! Lutando pelo Brasil e definindo as estratégias de onde estaremos”, escreveu Rodolfo Nogueira nas redes sociais. “Já imaginou, sendo inocente, passar por um constrangimento desse nível? É hora de reagir a mais essa canalhice!”, completou.
O ato será realizado dois dias após o início das sanções do governo dos Estados Unidos contra a economia brasileira. As penalidades foram anunciadas após o Supremo Tribunal Federal não suspender as ações judiciais contra Bolsonaro, que é acusado de articular um golpe de Estado e por coação envolvendo seu filho Eduardo Bolsonaro e o ex-presidente Donald Trump. As tarifas de 50% devem afetar a exportação de carne, peixe, ferro gusa e celulose, impactando diretamente a economia de Mato Grosso do Sul.
A manifestação do dia 3 de agosto deve ser o maior teste de mobilização do bolsonarismo em 2025. Em Campo Grande, a concentração está marcada para as 10h, na Praça do Rádio, com direito a buzinaço. Lideranças religiosas, políticas e representantes da sociedade civil devem definir os detalhes em uma reunião nesta terça-feira (22).
“Será um movimento da direita. O propósito é ter a participação de todos”, confirmou o pastor Wilton Acosta.
Parlamentares da direita, como o vereador Rafael Tavares (PL), defendem que a manifestação ocorra de forma pacífica.
“É uma manifestação em defesa da liberdade contra os abusos que o STF vem cometendo contra Bolsonaro e seus aliados”, afirmou.
Reação à operação da PF
O ato surge em meio à reação da base bolsonarista à operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que impôs medidas cautelares severas ao ex-presidente. Entre as determinações estão:
- Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
- Recolhimento domiciliar das 19h às 7h e aos fins de semana;
- Proibição de uso de redes sociais;
- Impedimento de comunicação com outros investigados, incluindo seu filho Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA;
- Proibição de contato com embaixadas e diplomatas.
Durante a operação, agentes da PF encontraram cerca de US$ 14 mil em espécie na casa de Bolsonaro, em Brasília. A suspeita é de que o valor poderia ser usado em uma tentativa de fuga. As investigações incluem acusações de coação, obstrução de Justiça e ameaça à soberania nacional. A defesa do ex-presidente afirmou, em nota, que ele “recebeu com surpresa e indignação a imposição de medidas cautelares severas” e que “sempre cumpriu com todas as determinações do Poder Judiciário”.
Além disso, parlamentares como Marcos Pollon e o próprio Rodolfo Nogueira interromperam o recesso e viajaram a Brasília para reuniões com Bolsonaro e lideranças do PL. O objetivo é articular apoio ao projeto de anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e pressionar o Senado pela abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.


