Em véspera da Reunião de Alto Nível "Democracia Sempre", que acontecerá em Santiago no dia 21 de julho, os presidentes eleitos do Brasil, Espanha, Chile, Colômbia e Uruguai divulgaram o seguinte artigo:
Em várias partes do mundo, a democracia vive um momento de grandes desafios. A erosão das instituições, o crescimento de discursos autoritários alimentados por diferentes setores políticos e o crescente afastamento dos cidadãos da política são sinais de um mal-estar profundo que atinge amplos setores da sociedade. A isso somam-se as persistentes desigualdades, o retrocesso nos direitos fundamentais, a propagação de desinformação e discursos de ódio nas plataformas digitais e a expansão de redes criminosas que questionam a legitimidade do Estado.
Diante desse cenário, não há espaço para imobilismo ou medo. Defendemos a esperança. Em um mundo cada vez mais polarizado, como líderes progressistas, temos o dever de agir com convicção e responsabilidade diante daqueles que buscam enfraquecer a democracia e suas instituições. Não basta invocar a democracia nem falar em seu nome; devemos fortalecê-la, renová-la e torná-la significativa para aqueles que sentem suas promessas não cumpridas. Somente com mais democracia criaremos mais oportunidades para as gerações futuras e conseguiremos nos adaptar aos desafios globais impostos pela inteligência artificial e pela mudança climática. Resolver os problemas da democracia com mais democracia, sempre.
Este é o princípio que reúne os governos do Chile, Brasil, Espanha, Uruguai e Colômbia na Reunião de Alto Nível "Democracia Sempre", que ocorrerá em Santiago no próximo dia 21 de julho.
Este esforço compartilhado não é apenas a continuação do encontro promovido pelos governos do Brasil e da Espanha durante a Assembleia Geral das Nações Unidas no ano passado, mas representa um avanço significativo. Longe de ser um gesto isolado ou simbólico, trata-se de uma iniciativa que visa defender a democracia como um bem comum.
Sabemos que as democracias não se constroem apenas pelos governos. A construção de propostas conjuntas e eficazes que fortaleçam a coesão social, a participação cidadã e a confiança nas instituições é um trabalho que não pode se restringir a declarações de boas intenções ou a um compromisso exclusivo dos governos e seus representantes. Por isso, esta iniciativa também convoca organizações sociais, centros de pesquisa, juventudes e diversos atores da sociedade civil, pois sua participação e ação são essenciais para que a democracia recupere sua capacidade transformadora.
Sabemos, ainda, que defender a democracia exige a coragem de condenar as tendências autoritárias e, ao mesmo tempo, a capacidade de apresentar soluções positivas, propondo reformas estruturais para enfrentar as desigualdades em nossos países e no mundo. A história já nos mostrou repetidamente que a democracia é o melhor caminho para garantir a paz, a coesão social e as oportunidades para todos. Impulsionar estratégias comuns em favor do multilateralismo, do desenvolvimento sustentável, da justiça social e dos direitos humanos é uma exigência ética e política. Porque a democracia é frágil se não for cuidada.
Hoje, nos une a certeza compartilhada de que é necessário melhorar a resposta do Estado às demandas de nossos povos e governar com eficácia, justiça e direitos. Com democracia, sempre. E com a convicção de que defender a democracia em tempos difíceis não é apenas resistir e proteger, mas também propor e avançar. Essa é a tarefa urgente do nosso tempo.
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil
Gabriel Boric Font, presidente da República do Chile
Pedro Sánchez Pérez-Castejón, presidente do Governo da Espanha
Yamandú Orsi Martínez, presidente da República Oriental do Uruguai
Gustavo Petro Urrego, presidente da República da Colômbia


