A pecuária pantaneira, presente há mais de 300 anos no bioma, ganhará reforço com um plano estratégico voltado ao fortalecimento de suas cadeias produtivas. A iniciativa é liderada pelo Governo de Mato Grosso do Sul por meio da Semadesc.
O estudo que embasa o plano foi apresentado à equipe da secretaria e traz um panorama completo da produção pecuária no Pantanal. O levantamento detalha os desafios, aponta oportunidades e propõe medidas práticas para impulsionar o setor.
A bovinocultura de corte é a principal atividade da região, com mais de 4,2 milhões de cabeças. Em 2024, o comércio de bezerros e bois movimentou mais de R$ 5 bilhões, evidenciando a força econômica do Pantanal.
O plano inclui criação de selos de origem, ampliação da exportação com habilitação de frigoríficos, rastreabilidade do couro e pagamento por serviços ambientais. As ações buscam agregar valor e sustentabilidade.
O secretário Jaime Verruck destacou que, embora a bovinocultura seja o foco, outras cadeias também foram analisadas, como peixes, jacarés, ovinos, abelhas e equinos. A meta é estimular todas as atividades produtivas da região.
Na ovinocultura, por exemplo, mesmo após redução no rebanho, os abates e o faturamento cresceram. O plano sugere reconhecer a raça pantaneira, combater a informalidade e adotar práticas sustentáveis.
A apicultura, fortalecida com a Indicação Geográfica do Mel do Pantanal, enfrenta entraves logísticos. Entre as ações propostas estão assistência técnica, qualificação e pesquisa com espécies nativas.
A piscicultura, apesar das restrições naturais e legais, é vista como promissora. Com investimentos em genética e manejo, pode crescer de forma sustentável, contribuindo com renda para famílias pantaneiras.
A cadeia do jacaré-do-pantanal também foi contemplada, com foco em sistemas como “headstarting” para pequenos produtores. O objetivo é fortalecer certificações e expandir mercados.
A equideocultura, essencial para a cultura local, terá apoio para valorização da raça pantaneira e incentivo ao registro formal dos animais utilizados no dia a dia das fazendas.
O diagnóstico abrange 11 sub-regiões, incluindo áreas do Pantanal de Mato Grosso e do Paraguai. Foram analisadas condições dos imóveis, produtividade e programas de incentivo.
Segundo Verruck, o estudo também apoia a execução do PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), previsto no Pacto do Pantanal. A ideia é integrar produção e preservação com base em dados concretos.
Além de propostas específicas, o plano aponta a urgência de melhorar a logística regional. Entre as necessidades estão estradas, portos fluviais e modernização da inspeção sanitária.
Dados do IAGRO, IBGE, AGRAER e SENAR foram utilizados para embasar o plano, que trata de forma integrada aspectos econômicos, sociais e ambientais da produção pantaneira.
"O Pantanal tem força pela produção sustentável, que gera renda, mantém a tradição e preserva um dos maiores biomas do planeta", afirmou Verruck. "Agora temos um plano claro para avançar nessa direção", concluiu.


