O risco de esvaziamento da CPI das Bets preocupa a relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). Faltando menos de 15 dias para o encerramento das atividades, a comissão enfrenta dificuldades para avançar com os depoimentos, consolidar provas e finalizar o relatório que investiga supostas irregularidades no setor de apostas virtuais.
Para evitar a paralisação dos trabalhos, Soraya e outros integrantes defendem a prorrogação da comissão por mais 130 dias. O pedido já conta com o apoio de mais de um terço dos senadores, mas ainda aguarda a leitura em Plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para se tornar oficial.
Além do prazo exíguo, a relatora aponta a falta de quórum como um dos principais obstáculos para a aprovação de quebras de sigilo e de relatórios financeiros dos investigados. Menos da metade dos 192 requerimentos foi aprovada, e apenas 63 documentos do Coaf chegaram à CPI até o momento.
Desde sua instalação, em novembro de 2024, a comissão realizou 22 reuniões e ouviu 19 pessoas — número que representa apenas cerca de 10% dos depoimentos aprovados. Diversos convocados não compareceram, alegando viagens ou proteção judicial. Um dos casos mais recentes foi o do influenciador digital Jon Vlogs, cuja ausência motivou a determinação de condução coercitiva.
Com as atividades suspensas na primeira semana de junho, em razão do Fórum Parlamentar do Brics, a CPI terá efetivamente apenas mais alguns dias para atuar. A relatora teme que a falta de tempo e de articulação política comprometam o objetivo da investigação: propor mudanças na legislação e encaminhar indiciamentos, se for o caso.
Criada para apurar o impacto das apostas on-line no orçamento familiar e possíveis vínculos com o crime organizado, a CPI atua em um cenário de regulamentação recente, efetivada apenas em janeiro de 2025 após anos de indefinição.
Fonte: Agência Senado


