A manifestação de apoio do governador Eduardo Riedel (PSDB) ao projeto de lei que prevê anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 expôs divergências dentro do próprio PSDB em Mato Grosso do Sul. Enquanto o chefe do Executivo estadual adotou posição favorável à proposta, dois dos três deputados federais tucanos do Estado se colocaram contra o texto.
O projeto, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ), prevê o perdão judicial a pessoas envolvidas direta ou indiretamente nos ataques aos prédios do Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e Palácio do Planalto. A proposta também alcança manifestações iniciadas ainda em 2022, o que pode abrir espaço para a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro entre os beneficiados.
Em Mato Grosso do Sul, o apoio ao projeto está longe de ser consenso. Levantamento nacional revela que apenas Beto Pereira, entre os tucanos sul-mato-grossenses, apoia a medida. Os deputados Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende são contra a anistia, o que coloca o partido em posição dividida no Estado.
A decisão de Riedel foi divulgada na véspera de uma manifestação organizada por aliados de Bolsonaro em São Paulo. Ele compartilhou em suas redes sociais imagens ao lado de lideranças como a senadora Tereza Cristina (PP) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos defensores do projeto. A movimentação foi interpretada como um gesto claro de aproximação com a direita, em um momento em que o governador ainda mantém quadros petistas em seu governo.
A proposta de anistia já provoca reações negativas entre setores da oposição e levanta questionamentos sobre os limites entre a pacificação política e a impunidade. No STF, até o início deste ano, mais de 370 pessoas haviam sido condenadas por envolvimento nos atos golpistas. Outras 527 fecharam acordos para evitar processos.


