A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e sua vice, Camilla Nascimento de Oliveira, estão no centro de um escândalo político após os partidos Democracia Cristã (DC) e Partido Democrático Trabalhista (PDT) acionarem o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) com um pedido de cassação dos mandatos. A ação, registrada sob o número TRE/MS-RECEL-0600364-30.2024.6.12.0036, alega abuso de poder e compra de votos, colocando em risco a permanência da chapa no comando do Executivo municipal.
De acordo com a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), Adriane Lopes teria utilizado a estrutura da igreja para impulsionar sua candidatura, realizando campanhas dentro de templos religiosos e envolvendo pastores como cabos eleitorais. O uso da fé como instrumento político, no entanto, não foi considerado abuso de poder religioso pela Justiça Eleitoral, o que gerou críticas e questionamentos sobre a decisão.
Por outro lado, as denúncias de compra de votos são mais contundentes. Testemunhas relatam que assessores e coordenadores da campanha de Adriane Lopes teriam distribuído benefícios em troca de apoio eleitoral, especialmente nas regiões mais vulneráveis de Campo Grande. O caso levou a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (PRE-MS) a recomendar a cassação dos mandatos e a inelegibilidade das acusadas por oito anos, com base na Lei das Eleições (Lei 9.504/97) e na Lei Complementar 64/90, que punem a captação ilícita de votos e o abuso de poder econômico.
Se o TRE-MS confirmar a cassação, novas eleições podem ser convocadas no município, mas a expectativa é que a disputa judicial se arraste até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), adiando qualquer definição. Adriane Lopes e sua vice não se manifestaram sobre as acusações.

