O coronel Bernardo Romão Corrêa Netto, ex-comandante do 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Bela Vista (MS), foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por participação em uma tentativa de golpe de Estado no pós-eleições de 2022. A acusação foi formalizada em 19 de fevereiro, envolvendo também outros ex-integrantes do governo Bolsonaro, inclusive o próprio ex-presidente. A denúncia surge como desdobramento da Operação Tempus Veritatis, que investiga a atuação de grupos que buscaram desestabilizar a democracia, sugerindo uma intervenção militar para anular os resultados das eleições.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, Corrêa Netto, junto a outros membros das Forças Armadas e aliados de Bolsonaro, tentou orquestrar uma ação para invalidar o processo eleitoral, defendendo o uso da força para reverter o resultado. Em 2022, enquanto ainda atuava como comandante, o coronel teria se engajado em uma rede de desinformação, promovendo fake news com o objetivo de enfraquecer a confiança nas urnas eletrônicas e nos resultados das eleições.
Em dezembro de 2022, a PF prendeu outros militares envolvidos, e Corrêa Netto, que na época estava participando de um curso de defesa nos Estados Unidos, teve sua prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A sua participação nas reuniões secretas com outros militares, como Mauro Cid, e aliados do governo, foi crucial para a configuração do plano golpista.
O caso ainda apresenta mistérios, incluindo a ausência de alguns suspeitos nas acusações, como o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e outros nomes ligados ao movimento golpista. Mesmo assim, as investigações seguem em andamento, e o caso ganha cada vez mais repercussão, com o STF intensificando as diligências para garantir a responsabilização dos envolvidos.

