A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta segunda-feira (19) o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados sob a acusação de tentativa de golpe de Estado. Segundo a denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), os ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes foram apenas um episódio dentro de uma cronologia mais ampla de ações golpistas iniciadas ainda durante o mandato de Bolsonaro.
De acordo com a PGR, a articulação para manter Bolsonaro no poder começou em 2021, com discursos e medidas que contestavam o sistema eleitoral e minavam a confiança nas instituições democráticas. O órgão aponta que o plano envolvia a disseminação de informações falsas sobre as urnas eletrônicas, a tentativa de cooptação de militares e a elaboração de decretos para anular o resultado das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.
Os atos de 8 de janeiro, quando bolsonaristas radicais invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, seriam, segundo a PGR, a “última esperança” dos envolvidos na trama para reverter o resultado eleitoral. “O ataque não foi um evento isolado, mas a culminação de uma sequência de tentativas frustradas de invalidar a eleição e manter Jair Bolsonaro no poder”, descreve a peça acusatória.
Entre os denunciados, além de Bolsonaro, estão ex-ministros, militares e empresários que teriam financiado as ações. A PGR sustenta que todos faziam parte de um núcleo organizado para sabotar o processo democrático e impor um regime de exceção no país.
A defesa de Bolsonaro nega as acusações e afirma que o ex-presidente jamais incentivou atos violentos contra as instituições. “Trata-se de uma perseguição política sem precedentes na história do Brasil”, disse o advogado do ex-mandatário.


