A cena política equatoriana foi abalada pela chocante notícia do assassinato do candidato à Presidência, Fernando Villavicencio, do Movimento Construir. O crime ocorreu no final da tarde desta quarta-feira (9) em Quito, a capital do país, logo após Villavicencio deixar um comício político realizado no Anderson College.
As imagens que circulam na internet, motstram Villavicencio entrando em um carro rodeado por seguranças quando um homem se aproximou e efetuou disparos, acertando-o com três tiros na cabeça. O autor dos disparos conseguiu fugir do local rapidamente, porém foi detido momentos depois do ocorrido e após um confronto armado com policiais, veio a óbito. O ataque deixou nove pessoas feridas, incluindo uma candidata à Câmara de Deputados e dois policiais. Segundo informações atualizadas, mais seis pessoas foram detidas, suspeitas de envolvimento no crime.

O impacto imediato do assassinato foi sentido por todos os principais candidatos à Presidência, que anunciaram a suspensão de suas atividades eleitorais como sinal de respeito à tragédia. O presidente Guillermo Lasso que não está participando da corrida eleitoral expressou sua indignação, afirmando em sua conta nas redes sociais, uma investigação rigorosa e que este crime não ficará impune. Em seguida, Lasso convocou uma reunião do Gabinete de Segurança da Presidência da República, na qual figuras-chave, como a presidente da Comissão Nacional Eleitoral e a Procuradora-Geral do Estado, devem participar.
No mês passado, Lasso declarou em algumas ocasiões estado de emergência e toques de recolher em três províncias, depois de uma sequência de mortes ligadas ao crime organizado. Esse foi o segundo assassinato ocorrido nesta campanha eleitoral no Equador. Em 17 de julho, o candidato à Assembleia Nacional Rider Sánchez foi assassinado na província costeira de Esmeraldas.

Eleições - Jornalista de profissão, Villavicencio tinha 59 anos e era um dos principais candidatos à Presidência do Equador. No início da carreira, antes de ingressar na política, Villavicencio cobriu matérias relacionadas ao combate à corrupção, um dos temas focados em sua campanha eleitoral. Sua morte lançou uma sombra de incerteza sobre o cenário político do país. Apesar das dificuldades na avaliação das tendências eleitorais no Equador, ele estava entre os primeiros colocados em várias pesquisas de opinião. Em junho, o Centro de Estratégico Latinoamericano de Geopolítica (Celag) o posicionou em quarto lugar, com 8% das intenções de voto. No entanto, diferentes institutos e datas mostraram variações nas posições dos candidatos.
O pleito presidencial no Equador está marcado para o próximo dia 20, de forma antecipada, após o presidente Lasso decretar a chamada "morte cruzada", que dissolveu a Assembleia Nacional e reduziu o tempo de seu próprio mandato. A morte de Villavicencio é um triste lembrete das tensões políticas que podem surgir durante as eleições e da necessidade de garantir a segurança dos candidatos e da democracia do país.

