A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (29), uma nova fase da Operação Contenção, voltada ao enfraquecimento da estrutura financeira do Comando Vermelho. A ofensiva cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento na movimentação e ocultação de recursos oriundos do tráfico de drogas.
Entre os investigados estão pessoas ligadas a Márcio dos Santos Nepomuceno, apontado como uma das principais lideranças da facção. Preso desde 1996 e atualmente custodiado em presídio federal em Campo Grande, ele segue, segundo as autoridades, exercendo influência nas decisões do grupo criminoso.
De acordo com informações divulgadas por veículos como CNN Brasil e UOL, familiares do líder — incluindo sua mãe e irmãos — estão entre os alvos da operação e são considerados foragidos nesta fase. Um homem apontado como operador financeiro da organização foi preso sob suspeita de intermediar recursos do tráfico e repassá-los ao núcleo familiar.
Esquema estruturado de lavagem de dinheiro
As investigações, que se estendem há cerca de um ano, identificaram um modelo sofisticado de lavagem de dinheiro. Segundo os policiais, os valores ilícitos eram distribuídos por meio de contas de terceiros, conhecidos como “laranjas”, e posteriormente reinseridos na economia formal por meio da compra de bens, pagamentos diversos e estratégias de ocultação patrimonial.
Durante a ação, foram apreendidos itens como veículos e motocicletas, além de materiais que podem auxiliar no aprofundamento das apurações. A polícia também utilizou dados extraídos de dispositivos eletrônicos e cruzamento de informações financeiras e telemáticas para mapear a atuação do grupo.
Conversas interceptadas indicariam a participação direta de integrantes da facção na organização das transações, reforçando a tese de que, mesmo preso há décadas, Marcinho VP continua com papel ativo na engrenagem criminosa.
Investigações continuam e novas fases não são descartadas
Esta não é a primeira ofensiva recente contra o Comando Vermelho. Em março, outra operação já havia atingido integrantes e pessoas próximas ao grupo, apontando a existência de uma rede de apoio responsável por manter a comunicação entre criminosos dentro e fora do sistema prisional.
As autoridades destacam que o foco das ações é atingir não apenas os executores do tráfico, mas também a base financeira que sustenta a organização. Desde o início da Operação Contenção, centenas de suspeitos já foram presos, além da apreensão de armas e bloqueio de recursos.
O caso segue em investigação, e a Polícia Civil não descarta novas prisões e desdobramentos nos próximos meses.
Liderança mantida mesmo no sistema federal
Considerado um dos nomes mais influentes do crime organizado no Rio de Janeiro, Marcinho VP permanece em presídios federais desde 2010. Sua permanência no sistema foi renovada recentemente pela Justiça, com base no entendimento de que a medida é necessária para conter sua atuação à distância.
Decisões judiciais apontam que, mesmo encarcerado, ele ainda representa risco à segurança pública, especialmente pela capacidade de articulação com outros integrantes da facção.


