A Polícia Civil de Goiás realizou uma operação que resultou no resgate de aproximadamente 70 mulheres mantidas em uma clínica terapêutica irregular em Abadia de Goiás. A ação ocorreu na quinta-feira (23) e terminou com a prisão em flagrante de dois responsáveis pelo estabelecimento.
A investigação teve início após denúncia de que o local continuava funcionando mesmo após ter sido interditado por órgãos competentes. A operação contou com apoio da Vigilância Sanitária e da Guarda Civil Municipal.
Pedidos de socorro levaram à entrada imediata
Ao chegarem ao endereço, os agentes foram recebidos por uma das internas, que confirmou o funcionamento da clínica, configurando descumprimento da interdição. Durante a fiscalização, policiais ouviram pedidos de ajuda vindos de outros cômodos, o que motivou a entrada imediata na unidade.
No interior do imóvel, foram encontradas cerca de 70 mulheres. Pelo menos 12 delas afirmaram estar no local contra a própria vontade, o que caracteriza, em tese, o crime de cárcere privado.
Além disso, relatos colhidos no local apontam para condições inadequadas de funcionamento, incluindo problemas de higiene, alimentação insuficiente e falhas na segurança das internas.
Responsáveis foram presos em flagrante
De acordo com a apuração, havia um coordenador responsável pela rotina da clínica e um representante legal do estabelecimento. Ambos foram conduzidos à delegacia, submetidos a exames de corpo de delito e autuados em flagrante por cárcere privado qualificado.
As mulheres resgatadas receberam atendimento e foram encaminhadas às famílias com o suporte da assistência social do município.
O nome da instituição não foi divulgado pelas autoridades. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do caso e apurar a existência de outras possíveis irregularidades, incluindo responsabilidades administrativas e criminais adicionais.
Casos semelhantes têm sido alvo de fiscalização mais rigorosa em diferentes regiões do país, especialmente em locais que funcionam sem autorização ou fora das normas sanitárias e legais, levantando alertas sobre a vulnerabilidade de pessoas submetidas a esse tipo de internação.


