O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quarta-feira (11) a Operação “Pombo Sem Asas”, que tem como alvo um núcleo de facção criminosa de atuação nacional responsável por tráfico de drogas e introdução de celulares e entorpecentes em unidades prisionais de Campo Grande.
De acordo com o MPMS, as investigações identificaram um esquema estruturado que contava com a participação de um policial militar, acusado de receber propina para facilitar a entrada de materiais ilícitos no complexo penitenciário da Capital. O servidor atuava na vigilância externa do presídio, nas torres de monitoramento, e permitia o arremesso de pacotes com drogas e celulares por cima dos muros da unidade.
A apuração começou após o compartilhamento de provas obtidas em uma investigação anterior que resultou na exclusão do policial da corporação por corrupção. A partir disso, os investigadores identificaram que internos e familiares ligados à facção pagavam vantagens financeiras para garantir o envio dos chamados “pombos” — como os criminosos se referiam aos pacotes lançados para dentro do presídio.
Segundo o Gaeco, detentos organizavam a logística das entregas de dentro da prisão, enquanto integrantes da organização criminosa em liberdade realizavam os arremessos. Em alguns casos, também eram utilizados drones para transportar os materiais ilícitos.
As investigações ainda apontaram que o grupo utilizava contas bancárias próprias e de terceiros para movimentar dinheiro proveniente do tráfico e pagar subornos, garantindo a comunicação dos presos com o meio externo e fortalecendo a atuação da facção no Estado. A organização também estaria envolvida no envio de drogas para outros estados.
Ao todo, estão sendo cumpridos 35 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e também nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
A operação conta com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e da Gerência de Inteligência Penitenciária da Agepen. As diligências também têm suporte operacional da Polícia Militar, com equipes do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e das Forças Táticas do 1º Batalhão da PM e da 5ª Companhia Independente.
O nome da operação faz referência ao termo utilizado pelos próprios criminosos para identificar os pacotes lançados para dentro do presídio. A expressão “Pombo Sem Asas” simboliza, segundo o Ministério Público, a interrupção desse esquema logístico, impedindo a entrada de drogas e celulares nas unidades prisionais e enfraquecendo a comunicação da organização criminosa.


