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há 4 meses

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Tráfico internacional usa Corumbá como rota para transporte de cocaína por "mulas humanas"

Esquema recruta pessoas vulneráveis na Bolívia e envia droga para São Paulo e outros países

A fronteira entre Brasil e Bolívia, na região de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, tem sido apontada por autoridades como uma das principais rotas do tráfico internacional de cocaína por meio de “mulas humanas”. Investigações da Polícia Federal, da Receita Federal do Brasil e da Agência Nacional de Transportes Terrestres indicam que organizações criminosas utilizam pessoas em situação de vulnerabilidade para transportar a droga dentro do próprio corpo.

No esquema, os recrutamentos ocorrem principalmente na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. As pessoas escolhidas ingerem dezenas de cápsulas de cocaína e seguem viagem até a fronteira em Puerto Quijarro. De lá, entram no Brasil por Corumbá e continuam a viagem, geralmente em ônibus clandestinos.

Alems

Segundo estimativas das autoridades, entre 8 e 10 ônibus cruzam diariamente a fronteira na região. Em cada veículo, até oito passageiros podem estar transportando a droga no organismo. Em média, cada pessoa ingere cerca de 100 cápsulas, o que pode representar mais de 1 quilo de cocaína por viagem.

Após entrar no país, a droga segue principalmente para Campo Grande e São Paulo. Da capital paulista, o entorpecente pode ser enviado ao exterior por rotas internacionais que incluem o Porto de Santos e aeroportos como o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.

Dados da Polícia Federal mostram que cerca de 8,4 toneladas de cocaína foram apreendidas em Mato Grosso do Sul em 2025. Apenas nos primeiros meses de 2026, mais de uma tonelada já foi retirada de circulação.

Além do combate ao tráfico, autoridades também alertam para os riscos extremos à saúde das pessoas utilizadas no esquema. Caso uma cápsula se rompa dentro do organismo, a substância pode causar convulsões, parada cardíaca e falência de órgãos, muitas vezes levando à morte.

Segundo investigadores, o foco das operações não é apenas prender as “mulas”, mas identificar e desarticular as organizações criminosas responsáveis pela logística do tráfico internacional na fronteira.

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