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CRIME

há 4 meses

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Perfis no TikTok usam códigos e símbolos para divulgar ideologia nazista, aponta investigação

Levantamento identificou ao menos 62 contas com conteúdos de apologia; parte delas seria do Brasil

Uma apuração do portal G1 identificou pelo menos 62 perfis na plataforma TikTok que publicavam conteúdos com referências e elogios ao nazismo. Desses, cerca de 15 aparentam ter origem no Brasil. A investigação teve início após denúncia de um leitor e revelou vídeos, imagens e publicações que promovem a ideologia extremista.

Segundo o levantamento, o próprio funcionamento do algoritmo da rede social contribui para ampliar o alcance desse material. Após o usuário visualizar um vídeo com esse tipo de conteúdo, a aba de recomendações — conhecida como “For You” — passa a sugerir postagens semelhantes.

Alems

Para driblar filtros automáticos e evitar punições, os responsáveis pelas contas utilizariam códigos, siglas, emojis e termos indiretos no lugar de nomes e símbolos explícitos associados ao regime nazista. A estratégia, conhecida como “dog whistle” (apito de cachorro), consiste em transmitir mensagens com significados reconhecidos apenas por determinados grupos, dificultando a identificação imediata por moderadores e autoridades.

Especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que, mesmo com esses disfarces, o conteúdo configura apologia ao nazismo. Em muitos casos, os perfis evitam a exibição direta da suástica — símbolo citado de forma expressa na legislação — para tentar escapar de responsabilização. Ainda assim, juristas destacam que o uso de referências indiretas não descaracteriza eventual crime.

A investigação também encontrou publicações em português fazendo menções positivas ao dia 30 de abril, data da morte de Adolf Hitler. Um dos vídeos analisados, publicado em junho de 2025, teria ultrapassado 371 mil visualizações e acumulado milhares de curtidas. Nos comentários, usuários de diferentes países exaltavam o ditador alemão.

Em nota, o TikTok informou que removeu as contas citadas na reportagem por violarem as diretrizes da comunidade. A empresa afirmou que proíbe discurso de ódio e manifestações antissemitas na plataforma, além de declarar que seus sistemas automatizados conseguem identificar e excluir a maior parte dos conteúdos irregulares antes mesmo de serem visualizados.

No Brasil, a Lei nº 7.716/1989 prevê pena de dois a cinco anos de prisão para quem utilizar símbolos nazistas com fins de divulgação da ideologia. A Constituição Federal também estabelece que o racismo é crime inafiançável e imprescritível.

Especialistas ressaltam que a circulação desse tipo de conteúdo contraria compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no combate à discriminação e reforçam que plataformas digitais devem impedir a recomendação e monetização de materiais dessa natureza.

Com informações de G1 e  Olhar Digital
 

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