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Estado

há 5 meses

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Quadrilha usava empresas de fachada para aplicar fraudes milionárias contra bancos

Grupo abriu negócios fictícios para antecipar valores de vendas feitas com cartões clonados; prejuízo estimado chega a R$ 4 milhões

Uma organização criminosa com atuação em Mato Grosso do Sul é suspeita de ter causado prejuízo milionário a instituições financeiras ao utilizar empresas de fachada para aplicar golpes eletrônicos. Segundo as investigações, o esquema envolvia a criação de pessoas jurídicas falsas para obtenção de plataformas de venda e máquinas de cartão, usadas em transações fraudulentas com cartões de crédito de terceiros.

A apuração é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), que nesta semana deflagrou a Operação Chargeback para desarticular o grupo, investigado por crimes praticados desde 2023, principalmente contra bancos digitais.

Alems

Estrutura do golpe envolvia antecipação de vendas

De acordo com o delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, responsável pelo caso, o funcionamento do esquema dependia da abertura de empresas fictícias, criadas exclusivamente para viabilizar as fraudes.

“Esses indivíduos criavam pessoas jurídicas, supostas empresas voltadas exclusivamente para fraudes. Com essas empresas, eles adquiriam junto a uma instituição financeira uma plataforma de vendas, máquina de cartão ou vendas no próprio site”, afirmou o delegado.

Com a estrutura montada, os suspeitos simulavam a venda de produtos variados, que incluíam desde carnes até veículos. O pagamento, no entanto, era feito com cartões de crédito clonados ou de terceiros. Em seguida, o grupo solicitava às instituições financeiras a antecipação dos valores dessas vendas, prática comum em bancos digitais mediante cobrança de taxas.

“Eles solicitavam junto à instituição financeira uma modalidade conhecida como antecipação de venda, da qual, antes da liquidação desse valor do cartão de crédito do comprador, eles antecipam parte do valor pagando uma taxa para a instituição financeira. Posteriormente, o proprietário do cartão de crédito utilizado nessa questão, ele alega o desconhecimento dessa compra e solicita a contestação desse valor que estava acreditado no cartão dele”, explicou.

Quando a compra era contestada, a bandeira do cartão cobrava o banco, que repassava a cobrança ao vendedor. Como não havia comprovação de entrega de mercadoria ou prestação de serviço, o prejuízo acabava recaindo sobre a instituição financeira.

“Ele [o integrante da quadrilha] pulveriza em diversas outras contas de terceiros e a instituição financeira fica no prejuízo”, completou o delegado.

A estimativa é de que os danos ultrapassem R$ 4 milhões ao longo de quase três anos de atuação do grupo.

Origem dos cartões ainda é investigada

A polícia ainda não identificou com precisão como a quadrilha obtinha os dados dos cartões utilizados nas transações. Entre as hipóteses analisadas estão furtos, roubos, outros crimes eletrônicos ou até a participação de pessoas que cediam voluntariamente seus dados em troca de parte dos valores obtidos.

“Já verificamos que alguns dos cartões eram registrados por laranjas ou por até eles próprios para a prática do ilícito, mas verificamos também a existência de diversas compras realizadas por cartões terceiros que ainda está sendo apurada a forma que eles adquiriram esses dados de cartões”, disse o delegado.

O número exato e os nomes das instituições financeiras lesadas não foram divulgados, mas a polícia confirmou que mais de um banco foi vítima do esquema.

Prisões, apreensões e bloqueio de valores

Durante a Operação Chargeback, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e efetuadas cinco prisões em bairros de Campo Grande, como Aero Rancho, Nova Campo Grande, Jardim Paradiso e Jardim Aeroporto.

Os detidos são homens com idades entre 21 e 32 anos. Parte deles não possui antecedentes criminais, enquanto outros já responderam por crimes como roubo, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e agiotagem.

Entre os materiais apreendidos estão uma pistola Glock com numeração adulterada, carregadores comuns e prolongados, cerca de 100 munições calibre 9 mm, oito máquinas de cartão, aproximadamente 40 cartões de crédito em nome de diferentes pessoas, um veículo importado, além de celulares e computadores. Também houve o bloqueio judicial de cerca de R$ 2 milhões em contas vinculadas aos investigados.

Os presos devem responder por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Caso condenados, as penas podem variar de 8 a 21 anos de prisão, além de multa. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e esclarecer o papel de cada integrante na organização criminosa.

A operação foi coordenada pelo Departamento de Polícia Especializada (DPE) e contou com apoio de unidades especializadas da Polícia Civil, incluindo Denar, Derf, Defurv e DHPP.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que Mato Grosso do Sul registrou 12.061 ocorrências de estelionato no ano passado, uma queda de 13,77% em relação a 2024, quando foram contabilizados 13.987 casos.
 

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