A Polícia Federal (PF) investiu em novas soluções tecnológicas capazes de quebrar senhas e decodificar dados protegidos em equipamentos da Apple apreendidos durante investigações. A compra, conduzida pela Diretoria Técnico-Científica (Ditec), contempla licenças de softwares especializados em criptoanálise e em técnicas de acesso a sistemas MacOS com o chip de segurança T2. As informações são da coluna do jornalista Paulo Capelli, do Metrópoles.
De acordo com um relatório técnico da própria Ditec, a corporação tem enfrentado limitações na realização de perícias em pelo menos 16 modelos da Apple, fabricados entre 2018 e 2020, que contam com o chip T2 — um co-processador que reforça a proteção de dados, inclui identificação por toque (Touch ID) e exige inicialização segura. Entre os equipamentos estão versões do iMac, MacBook Air, MacBook Pro e Mac Mini.
O documento aponta que, tanto no laboratório central quanto nas unidades descentralizadas de criminalística, peritos relatam dificuldades para acessar informações armazenadas nos aparelhos devido ao nível de criptografia embarcado no hardware.
A PF já possuía softwares voltados à quebra de senhas, com licenças utilizadas pela Ditec e pela Superintendência no Paraná. No entanto, esses contratos, firmados em 2018, expiraram em 2024, deixando lacunas na capacidade da corporação de realizar exames em máquinas mais recentes da Apple.
O parecer técnico que embasou a licitação afirma que, sem a atualização das ferramentas, a instituição não consegue atender às demandas envolvendo sistemas protegidos pelo chip T2. Por isso, considera essencial renovar o pacote de softwares e incluir módulos adicionais especificamente voltados à superação das barreiras de segurança desses dispositivos.
A expectativa é que o novo conjunto de licenças — válido por cinco anos e com permissão de uso simultâneo em até 20 computadores — fortaleça o trabalho do Laboratório de Criptoanálise, permitindo maior agilidade nas perícias e ampliando o acesso a informações relevantes para investigações.
Segundo a Ditec, o avanço constante de tecnologias de proteção digital tem desafiado a capacidade investigativa da PF, especialmente diante do uso crescente de plataformas criptografadas por suspeitos. A atualização do ferramental, avalia a diretoria, é fundamental para preservar a eficiência das apurações e garantir a obtenção de provas em casos que dependem desse tipo de acesso.


