Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro no Complexo da Maré desencadeou um intenso tiroteio nas proximidades da Vila do João e da Vila dos Pinheiros, na Zona Norte do Rio, na manhã desta quarta-feira (26). A ação, realizada por agentes da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), tinha como objetivo evitar um confronto armado entre criminosos que, segundo a corporação, planejavam invasão de território rival.
Disparos atingem UFRJ e deixam comunidade assustada
Vídeos gravados por moradores mostram pessoas correndo, se abaixando e buscando abrigo enquanto rajadas de tiros ecoavam pelas ruas das comunidades.
No campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, ao menos uma sala de aula do prédio do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) foi atingida por projéteis. Apesar dos danos, não houve registro de feridos dentro da instituição.
A ação também interrompeu momentaneamente o tráfego na Linha Amarela — via expressa que dá acesso ao Fundão. A pista chegou a ser fechada por cerca de 15 minutos e liberada em seguida, mas ainda registrando retenções.
Fiocruz aciona nível máximo de segurança
Diante da intensidade dos disparos, a Fiocruz elevou o nível de segurança para o grau 3 no Campus Maré. O protocolo de contingência foi ativado, com orientações para que todos os colaboradores permanecessem dentro dos prédios, suspensão de deslocamentos internos e bloqueio da circulação de ônibus entre os campi de Manguinhos e Maré.
Moradores relataram pânico e correria durante o tiroteio. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram pessoas deitadas no chão ou se protegendo atrás de estruturas, enquanto o som dos tiros tomava a região.
Operação motivada por alerta sobre facções criminosas
Segundo a Polícia Civil, a operação foi deflagrada após informações de inteligência indicarem movimentação de criminosos armados, com risco concreto de confronto entre facções rivais dentro da Maré. Para a corporação, a ação buscava impedir uma disputa territorial que poderia gerar consequências graves para moradores e instituições do entorno.
Criança baleada em escola da Maré
Além dos danos registrados na UFRJ, uma criança de 10 anos foi atingida na perna por um disparo dentro de uma escola da Maré. A menina foi socorrida e encaminhada ao Hospital Getúlio Vargas. Informações preliminares apontam que seu estado de saúde é estável.
Histórico de violência na região
O Complexo da Maré, composto por diversas comunidades interligadas, enfrenta há décadas intensas disputas entre facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Operações de grande porte não são incomuns e, com frequência, impactam a rotina de moradores, escolas e instituições de pesquisa localizadas no entorno.
Desde a ocupação policial de 2014, episódios de tiroteio e intervenções seguem rotineiros, afetando a circulação, o funcionamento de serviços e a segurança da população.
Operação segue em andamento
A Polícia Civil do Rio confirmou, na tarde desta quarta-feira (26), que três suspeitos foram mortos e um foi preso durante a operação no Complexo da Maré. Segundo a corporação, os confrontos ocorreram principalmente nas áreas da Vila do João e da Vila dos Pinheiros, onde equipes da Ssinte e da Core atuavam para conter a movimentação de criminosos armados.
Além dos impactos registrados na UFRJ e na Fiocruz, a ação também resultou em mais uma vítima dentro da comunidade: um aluno do CIEP Hélio Smidt foi baleado na perna enquanto estava no pátio da unidade escolar. A criança recebeu atendimento inicial na Clínica da Família Jeremias de Moraes e, após estabilização, foi transferida para o Hospital Getúlio Vargas, onde permanece com estado de saúde considerado estável.


