Um relatório parcial do setor de Inteligência da Polícia Boliviana, divulgado no fim de outubro, aponta aumento da influência do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Bolívia e risco de intensificação da violência nas áreas de fronteira com o Brasil. Segundo o documento, o PCC tem estabelecido alianças com organizações locais e transnacionais para ampliar as rotas de tráfico de drogas e otimizar a logística de produção e escoamento.
O informe identifica duas estruturas criminosas de grande atuação no país: uma vinculada ao uruguaio Sebastián Marset Cabrera, conhecido como Rey del Sur, e outra ligada a Yasser Andrés Vásquez Cardona. Ambas teriam ampliado sua presença em departamentos estratégicos, como Santa Cruz de la Sierra e Beni, que conectam a Bolívia ao Brasil por Corumbá e por rotas rumo a Rondônia.
A Inteligência boliviana assinala que o crescimento da demanda internacional por cocaína contribui para a expansão das rotas de tráfico e para a busca de novas vias de escoamento. No relatório também há indícios de infiltração de criminosos em setores das forças de segurança, o que, segundo as apurações, teria permitido antecipação de investigações e facilitado crimes como sequestros ligados a grupos criminosos.
Autoridades bolivianas divulgaram números sobre apreensões e destruição de estruturas ilícitas no país, incluindo toneladas de drogas, centenas de laboratórios e pistas clandestinas desativadas. Ainda assim, o documento de Inteligência ressalta que a corrupção interna nas forças de segurança permanece como um desafio relevante para a eficácia das ações.
No lado brasileiro, a Polícia Federal em Mato Grosso do Sul tem mantido atuação voltada ao enfraquecimento financeiro das organizações, com foco em dificultar o ganho econômico que sustenta a criminalidade. A presença de agentes da PF em cidades bolivianas e a previsão de maior integração entre equipes de investigação nas regiões de fronteira fazem parte das medidas destinadas a conter o avanço das redes criminosas.

