A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp) publicou, nesta quarta-feira (5), a demissão de quatro policiais penais envolvidos em um esquema de corrupção dentro do sistema prisional do Estado. A decisão foi oficializada no Diário Oficial e atinge Carlos Eduardo Lhopi Jardim, Maicon Thomaz Corrêa Alencar, Justo Aquino Navarro e João Xavier Martins Neto.
Os servidores eram investigados no âmbito da Operação La Catedral, deflagrada em 2022, que apurou a cobrança de propina e a concessão de benefícios ilegais a detentos do Presídio Ricardo Brandão, em Ponta Porã. O grupo foi acusado de vender regalias e permitir a entrada de itens proibidos nas celas.
Esquema e apreensões
As investigações indicaram que os agentes recebiam pagamentos para favorecer presos com condições diferenciadas, incluindo consumo de bebidas alcoólicas, carnes, celulares, chuveiros elétricos e até móveis planejados. Também foram encontradas evidências de facilitação de fugas e de interferência em transferências de internos.
Durante as buscas, a Polícia Civil apreendeu celulares, computadores, documentos e uma quantia de R$ 47 mil em espécie. Sete veículos ligados aos investigados também foram retidos, e os ex-servidores terão de comprovar a origem do dinheiro utilizado nas aquisições.
Consequências e histórico dos envolvidos
Entre os exonerados, Carlos Eduardo Lhopi Jardim ocupava o cargo de diretor do presídio e já havia sido afastado da função após duas fugas registradas na unidade. Ele chegou a ser preso durante a operação e, posteriormente, teve pedido de retirada de tornozeleira eletrônica negado pela Justiça.
Os outros — João Xavier Martins Neto, Justo Aquino Navarro e Maicon Thomaz Corrêa Alencar — também trabalhavam no mesmo presídio e foram detidos na época das investigações. Todos responderam pelos crimes de associação criminosa, corrupção passiva, concussão e favorecimento para entrada de objetos ilícitos no presídio.
Origem do nome da operação
A Operação La Catedral recebeu esse nome em referência à luxuosa prisão construída pelo narcotraficante Pablo Escobar, na Colômbia, onde o criminoso cumpria pena em meio a conforto e mordomias — uma analogia à situação encontrada em Ponta Porã.
Com as demissões, o governo estadual conclui a etapa administrativa do caso, enquanto as investigações criminais seguem em andamento no âmbito do Ministério Público e da Justiça Estadual.


