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Crise no Rio

há 8 meses

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Polícia investiga suspeita de manipulação de cenas após operação no Complexo da Penha

Imagens indicam que corpos de criminosos mortos em confronto teriam sido despidos e alterados antes de exposição pública; moradores e possíveis membros de facção são investigados

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu investigação para apurar a atuação de pessoas que teriam manipulado corpos de criminosos mortos durante a megaoperação no Complexo da Penha, realizada na quinta-feira (28). Segundo as autoridades, há indícios de que roupas camufladas foram retiradas e ferimentos falsos criados para sugerir execuções cometidas por agentes de segurança.

Os confrontos mais intensos ocorreram em uma área de mata conhecida como Vacaria, no alto da comunidade. Durante a madrugada, indivíduos ainda não identificados — possivelmente moradores ou integrantes do Comando Vermelho — retiraram os cadáveres do local e os alinharam na Praça São Lucas, alegando que familiares deveriam reconhecer os mortos. O procedimento oficial, porém, prevê que o reconhecimento ocorra apenas no Instituto Médico Legal.

Alems

As imagens da praça, com dezenas de corpos estendidos, repercutiram em veículos nacionais e internacionais. Pouco depois, começaram a circular nas redes rumores de que alguns cadáveres teriam ferimentos a faca, levantando suspeitas sobre eventuais abusos policiais.

Em entrevista coletiva, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que vídeos gravados durante a operação mostram os suspeitos ainda vivos, vestidos com roupas camufladas e coletes à prova de balas.

“Temos imagens que mostram esses criminosos sendo retirados da mata com uniformes táticos e, posteriormente, sendo exibidos apenas de cueca ou bermuda. Isso indica manipulação. Não me surpreenderia se ferimentos falsos também tivessem sido criados”, disse Curi.

A 22ª Delegacia da Penha instaurou inquérito para apurar a participação de moradores na retirada e na exposição dos corpos. O secretário classificou o episódio como “uma tentativa de distorcer a atuação policial” e afirmou que os responsáveis podem responder por manipulação de provas.

O balanço atualizado da Operação Contenção indica 119 mortos, entre eles quatro policiais e 115 criminosos classificados como “opositores”, termo usado para identificar suspeitos que atiraram contra as forças de segurança. Além disso, foram 113 presos — 33 de outros estados — e 10 menores apreendidos. A polícia também recolheu 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver e grandes quantidades de drogas ainda em contagem.

A ação, planejada por dois meses após um ano de investigações, tinha como objetivo cumprir 100 mandados de prisão contra líderes do Comando Vermelho do Rio e do Pará. De acordo com o coronel Marcelo de Menezes Nogueira, da Polícia Militar, vídeos confirmam que roupas táticas foram retiradas dos corpos antes da chegada das equipes oficiais.

Os confrontos concentraram-se em áreas de mata, onde criminosos recuaram após a entrada das forças de segurança pelas partes mais baixas das favelas. Segundo a polícia, alguns suspeitos se renderam, enquanto outros resistiram com fuzis e granadas lançadas até por drones, transformando a região em um cenário de guerra urbana.
 

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