A megaoperação policial deflagrada no dia 28 de outubro nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, já ultrapassou oficialmente o número de mortos do massacre do Carandiru (111). Dados recentes apontam que pelo menos 132 pessoas perderam a vida — entre elas quatro agentes — durante os confrontos e buscas por corpos no entorno da ação.
A mobilização reuniu cerca de 2,5 mil agentes de segurança das polícias Civil e Militar, unidades especiais como CORE e BOPE, com a missão de cumprir mandados de prisão e desarticular as lideranças do Comando Vermelho. Confrontos intensos foram registrados, com o uso de drones, barricadas, explosivos e tiroteios em vias e morros.
Durante a madrugada, moradores recolheram cadáveres e os enfileiraram em praça da Penha — uma cena que reforça a gravidade dos acontecimentos e levanta questionamentos sobre contabilização de vítimas. A própria polícia reconheceu que há corpos em áreas de mata ainda não contabilizados.
“O número de mortos já ultrapassa 130. É uma operação que ultrapassa, em letalidade, tudo o que já vimos em operações no Rio.”
— avaliação de fontes que acompanham o caso
Prisões, apreensões e tensão política
Até o momento, foram confirmadas 81 prisões e apreensão de mais de 75 fuzis, além de explosivos e outros armamentos. Entre os detidos, estão lideranças de alto escalão do Comando Vermelho, como o traficante “Belão do Quintungo” e o operador financeiro “Doca”.
Durante coletiva, o governador Cláudio Castro (PL) criticou a falta de apoio federal. Segundo ele, foram negados pedidos anteriores de blindados — condicionados à decretação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).
“Tivemos pedidos negados três vezes… Para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente é contra a GLO.”
— Cláudio Castro
Já o Ministério da Justiça defendeu que atendeu prontamente todas as solicitações feitas pelo estado para emprego da Força Nacional no Rio desde 2023.
Especialistas e organizações de direitos humanos aguardam agora resultados de investigações sobre as circunstâncias das mortes. A Alta Comissaria da ONU para Direitos Humanos manifestou preocupação diante da magnitude da operação e pediu averiguação imediata.
A soma de prisões, apreensões, vítimas e repercussão política torna esta ação um marco nos relatórios de segurança pública no país — com fortes indícios de que cruzou limites antes pouco observados em operações policiais.


