A Polícia Civil de Campo Grande esclareceu nesta sexta-feira (10) o caso de um suposto sequestro relâmpago que havia sido registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro. O homem que se apresentou como vítima confessou ter inventado toda a história para esconder da esposa que havia passado a noite em um bar.
De acordo com o boletim de ocorrência, o homem relatou inicialmente ter sido atraído até o bairro Jardim Los Angeles após receber uma mensagem com a suposta localização de sua motocicleta furtada. Ele afirmou que, ao chegar ao local, foi abordado por três homens armados, que teriam exigido dinheiro para devolver o veículo, colocado um saco preto em sua cabeça e o mantido sob ameaça até abandoná-lo em uma estrada deserta.
Durante as investigações, porém, os policiais notaram inconsistências no relato e descobriram que o homem, na verdade, não havia sido sequestrado. Confrontado com as evidências, ele admitiu que inventou o crime para justificar sua ausência em casa e evitar uma briga conjugal.
Mesmo com a confissão, o caso não termina sem consequências. A Polícia Civil instaurou um procedimento para responsabilizá-lo por falsa comunicação de crime, uma infração prevista no artigo 340 do Código Penal Brasileiro. O dispositivo estabelece pena de detenção de 1 a 6 meses, além de multa ou prestação de serviços à comunidade, conforme decisão judicial.
Segundo as autoridades, esse tipo de ocorrência gera desperdício de recursos públicos e mobiliza equipes de forma desnecessária, prejudicando o atendimento de casos reais.
O episódio, que começou como uma tentativa de evitar uma discussão doméstica, acabou se tornando um caso policial inusitado — e uma lembrança de que certas mentiras podem sair bem mais caras do que uma simples bronca em casa.


