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Cybercrime

há 9 meses

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Quadrilha que desviou dinheiro de jogadores de futebol é presa em operação interestadual

Ostentação, música e golpes financeiros revelam uma nova face do crime cibernético

Onze integrantes de uma quadrilha especializada em golpes financeiros foram presos nesta sexta-feira (26). As prisões fizeram parte da operação batizada de “Euterpe”, ação coordenada entre as Polícias Civis de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O grupo, que atua a partir de Mato Grosso mas aplicava fraudes em diversos estados, é acusado de desviar cerca de R$ 1 milhão das contas bancárias de jogadores da Série A.

A operação cumpriu oito mandados de prisão temporária e 15 de busca domiciliar nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e São José do Rio Claro, em Mato Grosso. A organização, conhecida como “Tropa de Cuiabá”, também possui indícios de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e está envolvida em crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e fraudes eletrônicas interestaduais.

Alems

A estratégia do golpe
Segundo a polícia, os criminosos abriam contas bancárias no nome das vítimas utilizando documentos falsos. Com a conta em mãos, solicitavam portabilidade dos salários dos atletas, que passavam a ser creditados diretamente nas contas da quadrilha. Para dificultar o rastreamento, os valores eram imediatamente movimentados em transações, saques e compras, espalhando o dinheiro rapidamente pelo sistema financeiro.

Três meses antes, cerca de R$ 700 mil em espécie foram encontrados em uma caixa de papelão em Cuiabá, reforçando a dimensão do esquema.

Jogadores vítimas
Há cerca de três meses, alguns membros da facção já haviam sido alvo de mandados de prisão por aplicarem golpes financeiros que desviaram salários de atletas de futebol. De acordo com a Polícia Civil, aproximadamente R$ 1 milhão foi subtraído das contas bancárias de jogadores da Série A do Campeonato Brasileiro, incluindo Gabigol, do Cruzeiro, e Kannemann, do Grêmio. Na ocasião, cerca de R$ 700 mil em dinheiro foram encontrados armazenados em uma caixa de papelão, em Cuiabá.

O show da ostentação
Mais do que aplicar golpes, a quadrilha investia em visibilidade e recrutamento usando o funk como propaganda de luxo e impunidade. O nome da operação, “Euterpe”, referência à deusa da música na mitologia grega, remete justamente a essa estratégia.

Entre os sucessos patrocinados pelo grupo, destaca-se “171 Estelionatário, Golpe do Gabigol”, de DJ Helinho com MC Juninho da 8. A letra menciona diretamente o desvio de Gabigol e exibe a ostentação dos criminosos: “Em Cuiabá é 'nóis' que tá. Um milhão do Gabigol 'conseguimo' até sacar. O malote tá no bolso e o ouro tá no pescoço... A Tropa de Cuiabá tem até carro clonado, 171 estelionatário.”

Outras músicas, como “Toma de Estelionatário” e “Queridin Por Elas”, também fazem referência às atividades ilícitas do grupo, evidenciando como o crime se mistura à cultura urbana para criar status e atrair novos integrantes.

Prisões e investigação
Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores e chips, que passarão por análise pericial. Os presos permanecem custodiados em Várzea Grande e podem responder por fraude eletrônica, uso de identidade falsa, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e organização criminosa — delitos que, somados, podem resultar em mais de 30 anos de prisão. A investigação segue para identificar outros membros da quadrilha e desarticular completamente a organização.

Evolução do cyercrime
O caso da “Tropa de Cuiabá” evidencia como o crime cibernético evolui para estratégias híbridas, que misturam violência econômica, ostentação midiática e apelo cultural. A utilização do funk para narrar golpes e exibir riqueza cria uma espécie de marketing criminal, capaz de influenciar jovens e recrutar novos participantes, ao mesmo tempo em que desafia as forças de segurança a lidarem com crimes que atravessam fronteiras estaduais e digitais.

Além disso, a ligação com organizações tradicionais, como o PCC, mostra que o crime organizado continua a diversificar suas frentes de atuação, combinando métodos convencionais e tecnológicos. Para especialistas, o episódio reforça a necessidade de respostas integradas e ágeis, que considerem não apenas a repressão, mas também a prevenção e o monitoramento das dimensões culturais e digitais do crime.
 

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