Os corpos das quatro vítimas do acidente aéreo ocorrido no Pantanal estão sendo transportados de Aquidauana para Campo Grande, onde passarão por exames complementares que devem ajudar no processo de identificação. Uma prótese metálica e a preservação parcial de digitais podem ser determinantes para a confirmação da identidade de duas das vítimas.
O veículo da funerária responsável pela remoção deixou o Instituto Médico Legal (IML) de Aquidauana por volta das 10h30 da manhã desta quinta-feira (26). A cidade está localizada a cerca de 140 quilômetros da capital sul-mato-grossense.
As necropsias de três das vítimas – o piloto Marcelo Pereira de Barros, o diretor de fotografia Rubens Crispim Jr. e o documentarista Luiz Fernando Feres da Cunha – já foram realizadas em Aquidauana. Também foi coletado material genético de um familiar do piloto para futura comparação de DNA.
O corpo do arquiteto chinês Kongjian Yu, porém, ainda não passou por exame, pois o consulado da China solicitou aguardo até a chegada de parentes ao Brasil.
Tecnologia deve auxiliar reconhecimento
De acordo com apuração do Campo Grande News, os corpos passarão por exames de tomografia e raio-X já na capital. Uma das vítimas possui prótese metálica, que pode agilizar o processo de confirmação. Outro corpo teve parte das digitais preservadas, o que permitiu a realização de exame necropapiloscópico, conduzido por uma equipe especializada que iniciou o trabalho em Aquidauana e agora dará continuidade em Campo Grande.
O Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) é o responsável pelas análises genéticas. Amostras de dentes também foram recolhidas para auxiliar na identificação, especialmente nos casos em que o DNA é o único recurso possível.
Embora o tempo padrão para exames de DNA possa chegar a três meses, casos de alta repercussão costumam ter prioridade e podem ser concluídos em prazos mais curtos. No entanto, a liberação dos corpos só ocorrerá após a confirmação oficial de identidade, independentemente do tempo necessário para as análises.
Profissionais da área ouvidos pela reportagem indicam que esse prazo pode variar significativamente — de um mês a até um ano — dependendo das condições dos corpos e da carga de trabalho do laboratório.
Relembre o acidente
A aeronave envolvida no acidente foi um monomotor Cessna 175, de prefixo PT-BAN. Ela caiu no dia 23 de setembro, por volta das 18h, na região de Aquidauana, durante tentativa de pouso na pista do Hotel Barra Mansa, localizado no Pantanal sul-mato-grossense.
Segundo relatos de testemunhas, o avião tentou arremeter antes da queda. Pouco tempo depois, fumaça foi vista no horizonte. O pôr do sol naquele dia ocorreu às 17h39, o que indica que o voo pode ter tentado pouso fora do horário permitido para operações visuais.
As investigações apuram se houve erro operacional e se o piloto possuía a devida autorização para transporte de passageiros, uma vez que o avião não estava registrado como táxi aéreo.


