Dayane Garcia, de 27 anos, faleceu na noite desta quarta-feira (3) em Campo Grande, após 77 dias de internação em decorrência de ferimentos causados por arma de fogo. A jovem foi vítima de violência doméstica no município de Nova Alvorada do Sul, onde residia com o companheiro, Eberson da Silva, de 31 anos.
O crime ocorreu no dia 18 de junho. Após uma discussão, Dayane foi atingida por disparos no pescoço e no tórax. Na sequência, o autor cometeu suicídio no local. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e transferida para a Capital, onde permaneceu internada em estado grave na Santa Casa e, posteriormente, no Hospital do Coração.
O falecimento foi confirmado por familiares. Dayane deixa dois filhos.
Histórico de violência
De acordo com informações apuradas durante a investigação, Eberson, que trabalhava como vigilante em uma agência bancária, utilizou a arma funcional para cometer o crime. Ele havia deixado o trabalho mais cedo no dia da ocorrência, levando o armamento sem autorização, o que está em desacordo com os protocolos da profissão.
O casal mantinha um relacionamento desde 2014 e tinha um filho em comum. Conforme relato de familiares, o crime aconteceu após episódios anteriores de agressão e ameaças. Em fevereiro deste ano, o autor chegou a ser preso após agredir e ameaçar Dayane. Na ocasião, ela chegou a se refugiar na casa da mãe, mas foi seguida por ele e novamente agredida.
Apesar da denúncia e da prisão naquele episódio, Eberson foi posteriormente liberado. Meses depois, concretizou a ameaça.
Mais um caso de feminicídio
Com a morte de Dayane, Mato Grosso do Sul registra 25 feminicídios desde janeiro de 2025, conforme dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado (Sejusp). Apenas em agosto, quatro casos foram registrados, evidenciando a persistência da violência de gênero no Estado.
A Câmara Municipal de Nova Alvorada do Sul divulgou nota oficial lamentando o falecimento da moradora. Por meio da Procuradoria Especial da Mulher, o legislativo local prestou solidariedade à família e destacou a importância da luta contra a violência doméstica e o feminicídio.
“A morte de Dayane representa mais um triste episódio que reforça a urgência de políticas públicas efetivas de proteção às mulheres. Lamentamos profundamente essa perda irreparável”, diz trecho da nota.
Assistência às vítimas
A rede de proteção à mulher conta com diversos canais de atendimento e denúncia, como a Central 180 (Ligue Mulher), Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), e os Centros de Referência da Mulher, que oferecem suporte jurídico, psicológico e social.


