Quinta, 9 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

20°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quinta, 9 Julho 2026

ANUÁRIO

há 11 meses

A+ A-

Anuário de Segurança revela queda na localização de desaparecidos em Mato Grosso do Sul

Estado mantém baixa taxa de desaparecimentos, mas número de pessoas encontradas diminui em 2024

Mato Grosso do Sul continua entre os estados com as menores taxas de desaparecimento no Brasil. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o total de casos registrados no estado foi praticamente estável em 2024, com 340 ocorrências, contra 332 em 2023. Isso representa uma taxa de 11,7 desaparecimentos por 100 mil habitantes, bem abaixo da média nacional, que é de 38,5.

No entanto, o relatório aponta uma queda no número de pessoas localizadas em MS, que passou de 1.694 em 2023 para 1.594 em 2024, uma redução de quase 6%. Especialistas alertam que esse cenário pode aumentar o risco de "naturalização" dos desaparecimentos, especialmente quando os casos não são solucionados e as vítimas não retornam para suas famílias.

Alems

Em âmbito nacional, os desaparecimentos voltaram a crescer após um período de recuo durante a pandemia. Em 2024, o Brasil registrou 81.873 notificações, um aumento de 4,9% em relação ao ano anterior — o maior número desde 2018. Na média, quatro pessoas desapareceram por hora no país no último ano.

Enquanto Mato Grosso do Sul enfrenta essa queda na localização de desaparecidos, estados como São Paulo e Rio Grande do Sul apresentam índices de resolução mais altos. São Paulo registrou 19.549 desaparecimentos, com 17.641 pessoas encontradas, e o Rio Grande do Sul teve 8.156 casos, com 8.039 localizações.

Por outro lado, estados como Amapá, Sergipe e Bahia apresentaram os maiores aumentos percentuais nos desaparecimentos, com crescimentos de 27%, 19,9% e 14,8%, respectivamente. Essas regiões, no entanto, tiveram redução nas mortes violentas intencionais, o que levanta preocupação sobre possíveis ocultações de homicídios por meio de desaparecimentos forçados, prática que envolve o sumiço de vítimas por grupos criminosos.

O relatório destaca que esse tipo de prática tem histórico no Brasil desde a ditadura militar, citando como exemplo a “vala de Perus”, onde ossadas de vítimas da repressão foram encontradas. Hoje, embora em outro contexto, facções e milícias utilizam o desaparecimento para eliminar rivais sem deixar vestígios, já que a ausência de corpos dificulta a comprovação do crime.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que, entre julho de 2023 e junho de 2024, 8% da população brasileira com mais de 16 anos declarou conhecer cemitérios clandestinos na sua cidade. Esse percentual sobe para 17% entre moradores de capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes.

Além disso, o perfil dos desaparecidos se mantém constante ao longo dos anos: 62,8% são homens, 53,5% têm entre 12 e 29 anos, e 54,3% são pessoas negras. A maioria dos desaparecimentos ocorre entre sextas e domingos — o mesmo padrão dos homicídios no país.

A legislação brasileira ainda é considerada insuficiente para enfrentar o problema. A tipificação do desaparecimento como crime só foi criada em 2019, pela Lei nº 13.812. Porém, não há uma lei específica que considere o desaparecimento forçado como crime, apesar do Projeto de Lei 6.240/2013, que prevê essa tipificação e classifica o desaparecimento forçado como crime hediondo, estar parado no Congresso há mais de dez anos.

Veja também