A Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (22/7) a Operação Route 156, para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema criminoso de direcionamento de licitações e desvio de recursos públicos em contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), vinculados à manutenção e recuperação da rodovia BR-156, no Amapá.
Em Mato Grosso do Sul, um dos 11 mandados de busca e apreensão foi cumprido, como parte das ações autorizadas pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amapá. Os demais mandados ocorreram nos Estados do Amapá (6), Minas Gerais (3) e Amazonas (1).
As investigações apontam que a organização criminosa atuava dentro da Superintendência Regional do DNIT no Amapá, fraudando ao menos quatro pregões eletrônicos com valor total superior a R$ 60 milhões. Segundo a PF e a CGU, o grupo simulava concorrência entre empresas por meio de propostas fictícias e cláusulas restritivas nos editais, além de contar com a omissão proposital de servidores públicos na fiscalização dos contratos.
Além das buscas, a Justiça determinou o afastamento cautelar do superintendente do DNIT/AP e de uma servidora suspeita de participação no esquema. Também foi autorizado o bloqueio de R$ 8,06 milhões em bens dos investigados, valor correspondente a movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Durante a operação, a PF apreendeu armas e munições em Macapá — incluindo três pistolas, um fuzil calibre 5.56 e cerca de 250 munições. Em Minas Gerais, foram recolhidos três veículos de luxo da marca Porsche, além de obras de arte de Guignard e Portinari, joias e relógios de alto valor.
Os investigados poderão responder pelos crimes de fraude à licitação, organização criminosa, prevaricação, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
A atuação em Mato Grosso do Sul reforça o caráter nacional da operação e o comprometimento dos órgãos de controle no combate ao desvio de recursos públicos federais.


