O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) obteve, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), a condenação de 11 integrantes de uma facção criminosa com atuação em diversas frentes do crime, como tráfico de drogas, roubos e homicídios. As sentenças somam mais de 56 anos de prisão e representam mais um desdobramento da Operação Planilhas, deflagrada em 2020.
As investigações revelaram uma estrutura criminosa sólida, organizada de forma hierárquica, com divisão de funções entre os membros e uso sistemático de armas de fogo. A atuação do grupo seguia uma lógica empresarial: havia líderes, responsáveis por coordenar ações, e operadores, encarregados da execução de tarefas ilícitas.
Segundo o MPMS, as provas reunidas incluem interceptações telefônicas, mensagens, documentos e outros materiais apreendidos que comprovaram a ligação direta dos réus com a organização. A Justiça acatou integralmente as denúncias, reconhecendo a participação ativa de cada um na facção. Ainda segundo a sentença, não foram apresentadas pelas defesas provas capazes de afastar as acusações.
A Justiça considerou que o crime de organização criminosa se configura a partir da adesão dos membros a um "contrato de sociedade", ou seja, a simples participação no grupo criminoso já caracteriza o delito — mesmo que não tenha havido, individualmente, a prática direta de outros crimes.
Das condenações, seis réus foram sentenciados a 6 anos, 10 meses e 14 dias de prisão em regime fechado, por integrarem a organização criminosa com uso de arma de fogo e exercerem papel de comando. Outros três foram condenados por participação com uso de arma, mas sem liderança, com penas que variam entre 3 e 5 anos, em regimes que vão do aberto ao fechado. Os demais também receberam penas proporcionais à gravidade de suas condutas.
A Operação Planilhas é resultado de um trabalho de inteligência iniciado em 2020 e voltado à repressão qualificada ao crime organizado em Mato Grosso do Sul. Desde então, a ação já levou à prisão de dezenas de integrantes da facção investigada, à apreensão de armas, drogas e veículos, além da descapitalização de parte da rede criminosa.
Para o MPMS, as condenações demonstram o compromisso da instituição com o combate à violência e à criminalidade organizada no Estado. As investigações continuam, com foco em identificar outros envolvidos e enfraquecer os braços logísticos e financeiros da organização.


