Delegados e policiais da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, tiveram suas penas aumentadas nesta semana pelo Tribunal de Justiça (TJ) após a desarticulação de um esquema de corrupção denominado "Codícia". A operação, realizada em 2022 pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), revelou um "balcão de negócios" onde escrivães e policiais vendiam drogas apreendidas e cobravam propinas para a restituição de veículos às vítimas.
O Ministério Público do Estado (MPE) celebrou a decisão, destacando os avanços na luta contra a corrupção e o crime organizado na região. "Este é o resultado de um trabalho bem feito e da dedicação dos nossos agentes de fiscalização", afirmou o promotor responsável pelo caso.
Os ex-delegados Patrick Linares e Rodrigo Blonkowski ganharam destaque na mídia após serem alvos da operação. Segundo o MPE, os agentes de segurança transformaram a maior delegacia civil de Ponta Porã em um verdadeiro ponto de negociação ilícita, chegando a suspender o atendimento ao público durante as operações de busca e prisão de boa parte do efetivo policial.
A "Operação Codícia", iniciada em 25 de abril de 2022, visava desmantelar o esquema que envolvia a cobrança de propinas para a liberação de veículos das vítimas e a comercialização das drogas apreendidas. As investigações revelaram que a corrupção permeava diversos níveis da delegacia, comprometendo a integridade e a eficiência do serviço público.
Em resposta às acusações, um dos ex-delegados acusou a promotora de perseguição, alegando motivações pessoais por trás das investigações. No entanto, o TJ manteve a decisão de aumentar as penas, reforçando o compromisso das instituições com a justiça e a ética no serviço público.
A operação resultou na prisão de vários policiais e na recuperação de quantias significativas desviadas através das atividades ilícitas.

