A morte de Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, executado a tiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na última sexta-feira (8), não apenas coloca fim à vida de um delator do PCC, mas também desvela um esquema de corrupção envolvendo policiais civis e militares. Em sua delação premiada, homologada pela Justiça, Gritzbach fez graves acusações contra agentes de segurança, implicando membros de dois departamentos da Polícia Civil e delegacias da Zona Leste de São Paulo em práticas criminosas que incluem extorsão, corrupção passiva e lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas.
Segundo o conteúdo da delação, Gritzbach citou especificamente policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e de duas delegacias da capital paulista – o 24º DP (Ermelino Matarazzo) e o 30º DP (Tatuapé) – como envolvidos em crimes que favoreciam a facção criminosa. Entre as acusações, destacam-se a cobrança de propina e a facilitação de atividades ilícitas relacionadas ao PCC.
A revelação foi confirmada por autoridades de segurança, incluindo o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, que afirmou que os policiais mencionados estão sendo afastados de suas funções enquanto a investigação prossegue. A Corregedoria da Polícia Civil já havia iniciado um inquérito em outubro após o recebimento de extratos da delação, que indicava envolvimento de policiais em extorsões realizadas contra Gritzbach.
A colaboração de Gritzbach também resultou na prisão de outros policiais, incluindo dois envolvidos no Departamento de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), e forneceu detalhes sobre a lavagem de dinheiro promovida pelo PCC, revelando a proximidade entre membros da facção e autoridades da segurança pública.
No entanto, o assassinato de Gritzbach no aeroporto tem gerado desconfiança sobre a falha na proteção do delator. Policiais militares que faziam a segurança do empresário alegaram que problemas mecânicos nos veículos que os transportavam impediram a chegada ao local do crime a tempo de evitar a execução. Contudo, uma das linhas de investigação é a de que essa falha tenha sido proposital, contribuindo para a morte do delator.
Além disso, a investigação também aponta o envolvimento de um tenente da Polícia Militar, que teria indicado os PMs para o trabalho de segurança privada de Gritzbach, uma prática proibida pelo regulamento disciplinar da corporação. Quatro policiais foram afastados de suas funções enquanto as apurações seguem.

