A recente morte de Lucilene Freitas dos Santos, de 33 anos, em Campo Grande, evidencia a preocupante escalada da violência de gênero em Mato Grosso do Sul, onde já se registraram 24 feminicídios em 2024. O crime, perpetrado pelo próprio marido, que disparou uma arma contra a cabeça da vítima, lançou luz sobre a urgência de ações efetivas contra essa tragédia social.
Na segunda-feira (14), em coletiva de imprensa, a delegada Analu Lacerda Ferraz expressou sua indignação, enfatizando que “ninguém pega uma arma de fogo e brinca com a cabeça de outra pessoa”. O autor do crime alegou que o disparo foi acidental, mas essa justificativa foi prontamente rebatida pela delegada, que ressaltou a seriedade da situação.
A filha de apenas 12 anos do casal presenciou a cena e relatou que o pai a orientou a afirmar que o tiro foi um acidente. Além do marido, um primo, suspeito de ter auxiliado na fuga do autor, também foi preso, levantando questões sobre a rede de apoio à violência doméstica.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Mato Grosso do Sul enfrenta um alarmante aumento nos casos de feminicídio, com 7 ocorrências na capital e 17 no interior até agora. As estatísticas são ainda mais alarmantes, uma vez que o estado apresenta a maior taxa de feminicídios consumados e tentados do Brasil, com 2 vítimas a cada 100 mil mulheres, superando a média nacional de 1,03.
Embora a Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, já estabelecesse penas mais severas para homicídios relacionados à violência de gênero, a legislação recentemente aprovada endureceu ainda mais as penas, que agora variam de 20 a 40 anos. No entanto, especialistas como a advogada Jéssica Santos alertam que mudanças legais sozinhas não são suficientes para erradicar a cultura de violência que permeia a sociedade. É essencial implementar programas contínuos de conscientização e reabilitação para homens que praticam violência.
Além disso, o impacto do feminicídio é devastador, especialmente nas crianças que ficam órfãs. Segundo o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), mais de 2 mil crianças perderam suas mães devido a esses crimes. Santos destaca que essas crianças enfrentam a dor da perda e consequências psicológicas que podem acompanhá-las por toda a vida.

