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Polícia

há 2 anos

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Conflito no Procon: Ex-PM acusado de homicídio afirma ter sido alvo de insultos racistas

Depoimento revela alegações de discriminação racial como possível motivação por trás do trágico incidente que resultou na morte de empresário durante audiência de conciliação

O ex-policial militar aposentado José Roberto de Souza foi submetido no decorrer desta sexta feira (25), de um interrogatório marcante durante a segunda audiência de instrução e julgamento na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande (MS). O ex-PM é acusado de ter tirado a vida de Antônio Caetano Carvalho, de 67 anos, sócio-proprietário da "Aliança Só Hilux", durante uma audiência de conciliação na Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS).

 

Nesta fase do processo, somente o acusado foi ouvido perante o juiz Aluízio Pereira dos Santos. Conforme o depoimento de José Roberto, ele esteve afastado por três anos devido a problemas de saúde, incluindo depressão e ansiedade, antes de se aposentar. No entanto, ele manteve uma atuação paralela como mestre de obras. Ele explicou que, mesmo após a aposentadoria, adquiriu uma Toyota SW4 antiga que precisava de reparos no motor.

Em sua busca por conserto, José Roberto recorreu à loja de Antônio Caetano Carvalho, esperando uma solução para seu veículo. Porém, enfrentou uma série de problemas recorrentes após os serviços realizados. Ele relata ter retornado à loja mais de três vezes, buscando uma solução, mas com a situação sem resolução, optou por reaver o valor pago e foi insultado com termos racistas pelo sócio-proprietário.

O ex-PM afirmou que buscava apenas seus direitos como consumidor e que Antônio Caetano Carvalho devia a ele. Segundo sua narrativa, o empresário repetidamente alegava que ele não tinha como adquirir o veículo e que sua posição na corporação não levantava suspeitas. Diante da resistência, José Roberto decidiu buscar seus direitos legalmente, o que resultou na tragédia que ocorreu durante a audiência no Procon.

O promotor de Justiça, Douglas Cavalheiro dos Santos, enfatizou que a audiência foi esclarecedora, proporcionando elementos concretos para compreender o que se passou no Procon. As alegações finais serão o próximo passo para o processo seguir em direção ao julgamento.

A defesa, representada pelo advogado José Roberto da Rosa, destacou que a instrução delineou claramente os eventos do dia do incidente. Rosa mencionou o sofrimento prolongado de seu cliente e observou que seus transtornos psiquiátricos podem explicar suas ações, argumentando que laudos médicos serão avaliados para embasar sua defesa.

Relembrando o caso, o delegado Antônio Ribas Júnior, da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro), disse que o autor alegou que o crime não foi premeditado. Segundo as informações, José Roberto procurou a empresa de Antônio Caetano Carvalho para consertar o motor de sua caminhonete. Entretanto, após os serviços, os problemas persistiram.

Os desentendimentos entre ambos se estenderam desde setembro, quando José Roberto buscou os serviços da loja. A situação culminou na audiência do Procon em fevereiro. Na data do incidente, a vítima entregaria notas fiscais referentes aos serviços e José Roberto pagaria a quantia restante. Durante a reunião, o valor da nota fiscal divergia do combinado, resultando em uma discussão que terminou em disparos fatais.

José Roberto se apresentou à polícia em fevereiro e permanece sob prisão desde então, tendo admitido a prática do homicídio.

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