Em coletiva de imprensa realizada agora no final da manhã (8), o delegado Erasmo Cubas, revelou detalhes sobre o assassinato do médico Gabriel Paschoal Rossi, de 29 anos, morto em Dourados no dia 27 de julho.
Segundo o delegado Cubas, o médico foi submetido a uma tortura terrível antes de finalmente perder a vida. Após ter sido atacado no início da manhã daquele dia, Rossi agonizou por 48 horas antes de ser encontrado sete dias após seu desaparecimento. Os investigadores descobriram que o estado de decomposição do corpo era inconsistente com o tempo transcorrido desde o desaparecimento, levando a crer que ele ficou em agonia por pelo menos dois dias, amarrado à cama onde foi encontrado.
O médico tinha as mãos e pés amarrados à cama, com um par de meias em sua boca, impossibilitando-o de pedir ajuda mesmo que estivesse consciente. A polícia suspeita que ele tenha sido submetido a torturas cruéis para revelar a senha de seu celular. Choques elétricos, asfixia com sacola plástica, inserção de objetos cortantes em sua garganta, tudo isso foi parte do sofrimento que ele enfrentou.
O que emerge como um motivo ainda mais chocante é a trama que levou ao assassinato. De acordo com as investigações, Bruna Nathália de Paiva, uma estelionatária de 29 anos de Minas Gerais e conhecida do médico, teria planejado meticulosamente a morte de Rossi. A polícia acredita que a dívida de R$ 500 mil que ela tinha com o médico tenha sido o catalisador para o crime. Em vez de pagar a dívida, Bruna contratou três homens para executar o médico, oferecendo a cada um R$ 50 mil para a tarefa.

Durante a coletiva, o delegado detalhou como os quatro suspeitos deixaram Dourados e retornaram a Minas Gerais após o crime. Eles levaram o celular de Rossi e passaram a extorquir familiares e amigos, além de realizar transações financeiras fraudulentas. Foi, na verdade, o celular que levou a polícia a rastrear os assassinos e suspeitar que Rossi havia sido sequestrado.
A relação entre o médico e Bruna remonta aos tempos em que ele era estudante de Medicina. A polícia alega que ele teria sido aliciado para participar de golpes financeiros e saques de benefícios fraudulentos, levando à acumulação da dívida que culminou em sua morte. O delegado afirma que Rossi não cometeu crimes em relação à sua profissão de médico, mas esteve envolvido em atividades ilícitas enquanto estudante.
O delegado descartou quaisquer ligações do médico com o tráfico de drogas, mas aventou a possibilidade de Rossi ter sido atraído ao local do crime por um membro da quadrilha de estelionatários em busca de drogas na região de fronteira.
A quadrilha de estelionatários aparentemente operava em diferentes estados, e a amplitude desse grupo ainda é desconhecida.

