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há 2 meses

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Fóssil de réptil marinho com mais de 100 dentes revela adaptação incomum para sobrevivência

Descoberta na Alemanha indica que animal ferido pode ter recorrido a pedras no estômago para compensar dificuldades na caça

Um fóssil de réptil marinho com cerca de 180 milhões de anos trouxe novos indícios sobre estratégias de sobrevivência no período Jurássico. Encontrado em Mistelgau, o exemplar pertence à espécie Temnodontosaurus trigonodon e apresenta características raras, como a presença de mais de 100 dentes preservados e pedras no interior do estômago.

A descoberta foi conduzida por pesquisadores do Urwelt-Museum Oberfranken e publicada na revista científica Zitteliana, ampliando o conhecimento sobre a ecologia marinha do período.

Alems

Estrutura preservada e dimensões do animal

Os fragmentos encontrados incluem partes do crânio, mandíbula inferior, coluna vertebral, nadadeiras e cintura escapular, permitindo uma reconstituição detalhada da anatomia do animal. O crânio, com aproximadamente 1,5 metro, levou os cientistas a estimarem um comprimento total de cerca de 6,6 metros.

Além disso, o estado de conservação possibilitou a análise de regiões pouco documentadas em fósseis do grupo, como o palato, a área orbital e estruturas das nadadeiras, oferecendo dados relevantes para estudos comparativos com outros ictiossauros.

Ferimentos e estratégia de sobrevivência

A análise revelou sinais de lesões nas articulações do ombro e da mandíbula, o que sugere que o animal enfrentava limitações físicas durante a vida. Essas condições podem ter comprometido sua capacidade de capturar presas com eficiência.

Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a presença de gastrólitos — pequenas pedras ingeridas — no interior do estômago. Esse comportamento, comum em algumas espécies atuais e pré-históricas, auxilia na digestão ao facilitar a trituração dos alimentos.

“Os ferimentos provavelmente limitaram significativamente a capacidade do animal de caçar. O fato de ele ter sobrevivido, mesmo assim, é evidenciado, entre outras coisas, pelos dentes bastante desgastados e pelos gastrólitos, que conseguimos identificar na região abdominal”, afirmou o pesquisador Stefan Eggmaier.

Os cientistas apontam que a combinação entre os ferimentos e o uso dessas pedras pode indicar uma adaptação para compensar a dificuldade na alimentação.

Importância científica do achado

O registro é considerado incomum, já que a presença de gastrólitos não é frequente em ictiossauros. A descoberta contribui para preencher lacunas sobre o comportamento alimentar e a resiliência desses animais em ambientes adversos.

Os pesquisadores pretendem aprofundar as análises, especialmente nos dentes e nas estruturas ósseas, para entender melhor o habitat e os hábitos desse predador marinho.

O estudo integra uma linha de investigação mais ampla sobre a fauna do período Jurássico na Alemanha, oferecendo novas pistas sobre a dinâmica dos ecossistemas marinhos há milhões de anos.

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