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Pantanal de MS deve enfrentar oitavo ano consecutivo de estiagem

Previsão indica chuvas irregulares, temperaturas elevadas e risco ampliado de impactos ambientais na região

O Pantanal em Mato Grosso do Sul caminha para completar mais um ciclo de seca prolongada. De acordo com projeções climáticas, a região deve registrar, em 2026, o oitavo ano seguido sem cheias expressivas, mantendo um cenário de preocupação para o meio ambiente e atividades econômicas locais.

Estudos apontam que, além das altas temperaturas previstas para o outono, a distribuição das chuvas tende a ser irregular e com volumes abaixo da média histórica, o que agrava o quadro de déficit hídrico.

Alems

Níveis dos rios e ausência de cheias

A última grande cheia do Rio Paraguai foi registrada em 2018. Desde então, o comportamento do nível das águas tem sido instável, com elevações pontuais. O maior aumento recente ocorreu em julho de 2023, quando a medição em Ladário atingiu 4,24 metros — índice ainda considerado abaixo dos padrões históricos de inundação.

A análise indica que não há expectativa de cheia significativa para este ano, reforçando a tendência de estiagem prolongada na planície pantaneira.

Impactos climáticos e riscos

Levantamento do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul aponta um cenário de alerta para o trimestre entre abril e junho. A combinação de calor acima da média e chuvas escassas pode comprometer atividades agrícolas, reduzir níveis de rios e aumentar a ocorrência de incêndios florestais.

“A análise do conjunto de modelos climáticos para o trimestre abril, maio, junho de 2026 indica um cenário de atenção para Mato Grosso do Sul, caracterizado pela irregularidade na distribuição das chuvas e pela expectativa de volumes abaixo da média histórica. Esse deficit hídrico, somado a temperaturas ligeiramente acima do normal, favorece a ocorrência de períodos mais quentes – especialmente em dias de baixa nebulosidade – o que pode comprometer o desenvolvimento das culturas de inverno e reduzir os níveis de rios e reservatórios”, alertou documento do Cemtec-MS, emitido na terça-feira.

O órgão também destaca possíveis reflexos na saúde da população e no meio ambiente.

“O calor persistente tende a agravar riscos à saúde pública, aumentando o potencial para doenças respiratórias e favorecendo o aumento da ocorrência e da propagação de incêndios florestais. Ressalta-se que já existem indícios de uma intensificação gradual para o El Niño a partir do segundo semestre de 2026, o que poderá favorecer novos episódios de ondas de calor no Estado”, completou o órgão estatal.

Chuvas abaixo da média

Dados recentes mostram que a maior parte dos municípios sul-mato-grossenses registrou índices de precipitação inferiores ao esperado na primeira metade de março. Em algumas cidades, o volume ficou muito aquém da média histórica, reforçando a tendência de escassez hídrica.

O cenário, segundo especialistas, mantém o Pantanal em condição de vulnerabilidade, com dependência de eventuais episódios isolados de chuva para amenizar os efeitos da estiagem.

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