Aproximadamente 90 indígenas da etnia Munduruku, organizados pelo Movimento Ipereg Ayu, bloquearam a entrada principal da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), na manhã desta sexta-feira (14). O acesso ficou fechado por algumas horas, obrigando delegados a utilizarem rotas alternativas para chegar à área de negociações.
Demandas e críticas
O grupo reivindica uma reunião direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e protesta contra projetos federais de infraestrutura que, segundo eles, ameaçam seus territórios e modos de vida. Entre as principais demandas estão:
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Revogação do Decreto nº 12.600/2025, que criou o Plano Nacional de Hidrovias para os rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
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Cancelamento do projeto da Ferrogrão.
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Agilidade na demarcação de terras indígenas.
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Suspensão de obras de portos, hidrovias, ferrovias e atividades de mineração e exploração madeireira na região.
Durante o ato, uma das lideranças afirmou:
“A gente vai fechar, ninguém entra, ninguém sai, porque ninguém veio pra brincar, ninguém vai rir, ninguém vai tirar selfie não. É o nosso corpo que está lá, é a negociação que está acontecendo aqui.”
Em outra declaração pública, o movimento enfatizou:
“Presidente Lula, estamos aqui na frente da COP porque queremos que o senhor nos escute. Nossa floresta não está à venda.”
Impacto na conferência
O protesto ocorreu no quinto dia da COP30 e chamou a atenção para a distância entre as negociações climáticas e as demandas dos povos originários. A entrada principal do evento permaneceu bloqueada por cerca de quatro horas, até que a organização redirecionou participantes para acessos secundários.
Representantes da conferência, incluindo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, estiveram no local. As lideranças indígenas sinalizaram que só liberarão completamente a área após terem uma perspectiva concreta de diálogo com o governo federal. Até o momento, não há confirmação de um encontro imediato com Lula.
A segurança foi reforçada na chamada “Zona Azul”, área restrita da COP, e não houve registro de confrontos.
Entenda o pano de fundo do conflito
Os Munduruku vivem principalmente na bacia do rio Tapajós, no oeste do Pará, e enfrentam problemas recorrentes como:
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Contaminação por mercúrio decorrente do garimpo;
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Avanço de grandes obras que afetam aldeias e rotas tradicionais;
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Falta de consulta prévia e adequada antes da implementação de projetos de impacto ambiental.
Lideranças afirmam que a COP30 discute soluções globais para o clima, mas não inclui de forma suficiente a perspectiva dos povos da floresta. Para eles, a defesa do meio ambiente começa pela preservação de seus territórios.


