Às vésperas da COP-30, que começa no próximo dia 10 em Belém (PA), novos dados do projeto MapBiomas Atmosfera mostram que o Pantanal registrou o maior crescimento de temperatura entre todos os biomas do Brasil nos últimos 40 anos. O estudo também aponta que a Amazônia segue a mesma tendência de alta, ultrapassando o limite de aquecimento global previsto pelo Acordo de Paris, de 1,5°C.
De acordo com o levantamento, a temperatura média nacional subiu cerca de 1,2°C entre 1985 e 2024, o que representa um aumento de 0,29°C por década. No entanto, os dados revelam variações significativas entre os diferentes ecossistemas brasileiros.
No Pantanal, o avanço médio foi de 0,47°C por década, seguido pelo Cerrado, com 0,31°C, e pela Amazônia, com 0,29°C a cada dez anos. Já os biomas de regiões costeiras tiveram aquecimento menor: Caatinga (0,25°C), Mata Atlântica (0,21°C) e Pampa (0,14°C) por década.
O relatório também destaca que 2024 foi o ano mais quente já registrado no Pantanal e na Amazônia desde o início das medições. Segundo a professora Luciana Rizzo, do Laboratório de Física Atmosférica da USP e integrante do MapBiomas Atmosfera, esse aumento faz parte de uma tendência contínua observada nas últimas décadas.
“Os dados estão mostrando que, de maneira sistemática, a temperatura está crescendo em todo o Brasil desde 1985. O ano passado foi recorde, mas não é um ano isolado”, explicou a pesquisadora.
No período analisado, a temperatura média do Pantanal foi de 26,2°C, enquanto a da Amazônia ficou em 25,6°C. Em 2024, os termômetros subiram 1,8°C e 1,5°C, respectivamente — os maiores picos anuais de todo o histórico.
O estudo também aponta que alguns estados têm aquecimento acima da média nacional. Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piauí registraram elevação entre 0,34°C e 0,40°C por década, enquanto Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba tiveram variações menores, entre 0,10°C e 0,12°C no mesmo período. Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de aumento foi de 0,19°C por década.
Os dados reforçam o alerta sobre o avanço do aquecimento global e seus efeitos diretos sobre biomas vulneráveis, como o Pantanal — cuja elevação térmica pode impactar a fauna, a vegetação e o equilíbrio hídrico da região.


