O Brasil virou foco internacional nesta quinta-feira (6) ao sediar a Cúpula de Líderes na pré-fase da COP30, em Belém (PA). O presidente Lula recebeu mais de quarenta autoridades estrangeiras — entre chefes de Estado, de governo e delegações ministeriais — em um gesto claro da reentrada do país no cenário global da agenda climática.
A reunião antecede o evento formal da ONU e marca o empenho brasileiro em colocar a Amazônia e a transição ecológica no centro do debate.
Discurso de abertura: ciência, urgência e justiça
No discurso de abertura, Lula pediu que o combate ao aquecimento global seja tratado como prioridade em cada governo, empresa e cidadão. Ele afirmou que “os dados mostram que, de maneira sistemática, a temperatura está crescendo em todo o Brasil desde 1985. O ano passado foi recorde, mas não é um ano isolado.”
O presidente também apontou que a escolha de sediar o encontro em Belém — na própria Amazônia — reforça a simbologia da floresta como “o maior símbolo da causa ambiental no imaginário global”.
Lula afirmou ainda que o modelo de desenvolvimento atual exige revisão:
“Pela primeira vez na história, uma COP do Clima terá lugar no coração da Amazônia… Aqui habitam as milhares de espécies… a maior bacia hidrográfica do planeta”.
Alerta contra a desinformação e ganho político
Durante a mesma cúpula, Lula fez ainda um alerta à ascensão de posturas negacionistas e à disseminação de falsas narrativas com fins eleitorais.
“Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades sociais e degradação ambiental”, disse o presidente.
O pronunciamento destaca que, segundo ele, a crise climática não é apenas técnica, mas profundamente política — exigindo que o debate volte-se para a ciência, a justiça climática e a necessidade de financiamento adequado para países vulneráveis.
Desafios e expectativas para o evento
A presença massiva de chefes de Estado e de governo, embora expressiva, encontrou ausências notáveis entre os grandes emissores globais. Ainda assim, o encontro em Belém pretende dar impulso às negociações e à agenda da COP30, programada para prosseguir nas próximas semanas.
Para o Brasil, o evento representa oportunidade única de afirmar protagonismo na diplomacia verde, atrair investimentos em energia limpa e reforçar a proteção da Amazônia como bem universal. Como lembrou Lula, “justiça climática é aliada do combate à fome e à pobreza”.
Ouça trechos do discurso de Lula:


