Quarta, 8 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

18°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quarta, 8 Julho 2026

MEIO AMBIENTE

há 11 meses

A+ A-

Chuvas acima da média Rritalizam rios do Pantanal após seca histórica

Volume expressivo de precipitações entre outubro de 2024 e abril de 2025 impulsionou recuperação dos níveis na Bacia do Paraguai, segundo monitoramento do Imasul

Chuvas intensas durante o ciclo 2024/2025 contribuíram para a recuperação dos rios da Bacia Hidrográfica do Rio Paraguai, um dos sistemas hídricos mais importantes de Mato Grosso do Sul. O monitoramento realizado pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) aponta que em 8 dos 11 pontos avaliados houve acumulados de chuva superiores à média histórica.

O regime climático do estado é caracterizado por duas estações bem definidas: o período chuvoso (de outubro a abril) e o seco (de maio a setembro). Essa alternância impacta diretamente o comportamento dos rios da região. No ciclo chuvoso 2024/2025, a intensidade das chuvas foi determinante para reverter os efeitos da seca severa registrada no ano anterior.

Alems

Destaques por região

Entre os locais com maior volume de chuvas estão Ladário, com 1.082,8 mm (412,2 mm acima da média), Miranda, com 1.034,2 mm (superando em 236,2 mm a média histórica), e Palmeiras, com 1.091,8 mm (139,1 mm acima do esperado). Outros pontos como Aquidauana, Coxim e São Francisco também registraram volumes positivos, embora com menor intensidade.

Por outro lado, algumas áreas ficaram abaixo do esperado. Em Porto Esperança (Corumbá), o déficit foi de 257,9 mm — o maior da bacia no período. Porto Murtinho e Pousada Taiamã também tiveram registros abaixo da média.

Abril: mês com maior anomalia positiva

A distribuição das chuvas ao longo do ciclo não foi uniforme. Abril de 2025 se destacou como o mês com maior anomalia positiva: foram 1.609,8 mm de chuva, 685,9 mm acima da média. Dezembro e março também apresentaram bons volumes. Já novembro, janeiro e fevereiro registraram precipitações abaixo do normal, o que revela um padrão irregular ao longo do ciclo.

Recuperação dos rios e fim da estiagem

A resposta nos níveis dos rios foi clara: entre abril e junho de 2025, nenhuma das estações monitoradas entrou em cota de estiagem, cenário oposto ao do mesmo período em 2024, quando muitos trechos estavam em situação crítica mesmo em plena temporada de chuvas.

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), em junho a Bacia do Paraguai foi classificada como livre de seca ou com seca fraca, resultado direto do bom desempenho pluviométrico.

Tendência de queda no período seco

Com o fim do período chuvoso, os rios da região já começaram a registrar redução nos níveis em julho. A estação do rio Aquidauana, por exemplo, voltou a apresentar cota de estiagem nesta semana. A previsão é de continuidade desse cenário nos próximos meses, com baixa pluviosidade até setembro.

Monitoramento contínuo até novo ciclo

A equipe técnica do Imasul já se prepara para o novo ciclo chuvoso, previsto para começar em outubro. Até lá, o monitoramento hidrometeorológico será essencial para orientar políticas de gestão da água e prevenir impactos em áreas produtivas, urbanas e ribeirinhas.

“O aumento do volume de chuvas entre março e abril foi fundamental para tirar a bacia da condição crítica em que estava desde 2023”, explica Leandro Neri Bortoluzzi, técnico do Imasul. “Foi a primeira vez em mais de um ano que todos os pontos monitorados ficaram fora da condição de estiagem.”


 

Veja também