Após a morte do caseiro Jorge Avalo, de 60 anos, vítima de um ataque de onça em um pesqueiro no Pantanal sul-mato-grossense, a Polícia Militar Ambiental (PMA) intensificou as ações de fiscalização e conscientização na região de Corumbá (MS). O foco é combater a prática ilegal da ceva, que consiste em alimentar animais silvestres para atraí-los, prática considerada crime ambiental.
As operações estão concentradas na rodovia MS-181, um dos principais acessos ao Passo do Lontra, e incluem patrulhamentos fluviais no Rio Miranda. Policiais abordam motoristas, turistas, pescadores e ribeirinhos, reforçando orientações sobre a importância da preservação da fauna e os riscos associados à ceva.
A prática de alimentar animais silvestres altera o comportamento natural das espécies, cria dependência alimentar e provoca desequilíbrios ecológicos. Além disso, aproxima espécies potencialmente perigosas de áreas habitadas, aumentando o risco de conflitos com seres humanos.
O caso de Jorge Avalo ocorreu em abril, no município de Aquidauana. A PMA localizou vestígios do felino ao lado dos restos mortais da vítima. Dias depois, uma onça-pintada macho, com 94 quilos, foi capturada na região e transferida para um centro de conservação em São Paulo, após receber tratamento veterinário.
A PMA mantém as operações preventivas como estratégia para coibir crimes ambientais e proteger a fauna silvestre do Pantanal, considerado um dos ecossistemas mais ricos e frágeis do mundo.
Estudos indicam que práticas como a ceva aumentam o risco de ataques, ao fazer com que animais percam o medo natural do ser humano. Além disso, a busca por interações próximas com a fauna, frequentemente motivada por interesses turísticos ou produção de conteúdo para redes sociais, representa uma ameaça tanto para os animais quanto para as pessoas.
As fiscalizações seguem em andamento na região, com o objetivo de preservar o equilíbrio ambiental e evitar novos incidentes envolvendo a fauna pantaneira.


