A decisão do governo dos Estados Unidos de cancelar entrevistas de asilo agendadas gerou caos e desespero entre milhares de imigrantes na fronteira com o México. Muitos, como Nidia Montenegro, venezuelana de 52 anos, aguardavam ansiosamente para começar uma nova vida, mas foram surpreendidos pela desativação do aplicativo "CBP One", usado para agendar as consultas.
Nidia chegou à cidade de Tijuana no último domingo (19), cheia de esperança. Fugindo da violência e da pobreza em seu país natal, ela atravessou um caminho de desafios e traumas até chegar à fronteira, onde planejava reencontrar o filho de 24 anos, que vive em Nova York. Contudo, a notícia do cancelamento do agendamento transformou sua expectativa em desespero. “Não acredito. Não, Deus, não”, lamentou ela, com lágrimas no rosto.
A medida foi anunciada poucos dias após a posse de Donald Trump, que prometeu endurecer as políticas migratórias, enviar tropas à fronteira sul e aumentar o número de deportações. Como parte dessas ações, as autoridades americanas confirmaram que todas as entrevistas marcadas para pedidos de asilo foram anuladas, e o aplicativo utilizado pelos imigrantes foi desativado.
O impacto foi imediato. Nos abrigos de Tijuana, Ciudad Juarez e Piedras Negras, migrantes verificavam o aplicativo em vão ou recebiam e-mails notificando os cancelamentos. No México, muitos choravam enquanto tentavam entender como proceder. Margelis Tinoco, colombiana que viajava com marido e filho, recebeu a notícia com incredulidade: “Acabou, eles eliminaram isso. Não há nada que possamos fazer.”
Nidia Montenegro, por sua vez, mantém a esperança apesar da incerteza. Após mais de um ano sem ver o filho, ela encarou uma travessia marcada por dificuldades, incluindo um sequestro no sul do México, do qual conseguiu escapar dois dias depois. Agora, mesmo presa em Tijuana, ela insiste: “Eu vou à minha entrevista.”
A suspensão do programa de asilo foi amplamente criticada por defensores dos direitos humanos, que apontam o abandono de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. Enquanto isso, milhares de imigrantes seguem na fronteira, entre o desamparo e a esperança, buscando alternativas para alcançar um futuro mais seguro nos Estados Unidos. ( Com inf do G1)

