O ano de 2024 será lembrado como o mais seco da história de Campo Grande, com apenas 780,6 milímetros de chuva acumulados ao longo de 12 meses. Esse volume representa uma redução de 45% em relação à média histórica anual de 1.455 mm, registrada entre 1981 e 2010, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Desde o início das medições meteorológicas na Capital, em 1981, nunca houve um período tão crítico. O recorde anterior de menor precipitação anual era de 1.003 mm, registrado em 2019. Em contraste, o ano mais chuvoso foi 2013, quando o acumulado chegou a 1.732 mm.
Especialistas apontam que o fenômeno El Niño, em combinação com massas de ar quente que atuaram como bloqueios atmosféricos, foi o principal responsável pelo cenário. Essas condições impediram a entrada de frentes frias, fundamentais para a formação de chuvas na região. Além disso, o calor intenso registrado em 2024 acelerou a evaporação e reduziu a umidade do solo, agravando ainda mais a situação.
A seca prolongada também foi intensificada pelos inúmeros focos de incêndios urbanos e florestais, especialmente nos meses de julho, setembro e outubro. As altas temperaturas, que alcançaram uma média anual de 25,6°C, contribuíram para a perda rápida de água do solo e pioraram o déficit hídrico.
Com a previsão de chuvas irregulares para 2025, especialistas alertam que o próximo ano pode trazer desafios semelhantes, já que as precipitações esperadas não devem ser suficientes para reverter os prejuízos acumulados. A irregularidade do regime de chuvas também preocupa, com precipitações concentradas em determinadas áreas enquanto outras permanecem secas.
Além de Campo Grande, várias cidades de Mato Grosso do Sul enfrentaram cenários críticos em 2024. Municípios como Dourados, Bonito e Ponta Porã também registraram déficits significativos, refletindo um problema generalizado no Estado.

