O julgamento de Stephanie de Jesus Silva e Christian Campoçano Leitheim, acusados de matar a menina Sophia Ocampo, de 2 anos, em janeiro de 2023, teve seu primeiro dia de sessão no Tribunal do Júri de Campo Grande, nesta quarta-feira (4). A defesa de Stephanie, mãe da criança, apresentou uma versão em que ela seria vítima de um quadro psicológico grave, incluindo síndrome de Estocolmo, devido a um relacionamento abusivo com o padrasto, Christian.
O psicólogo forense Felipe de Martino Pousada Gomes, ouvido como testemunha pela defesa, alegou que Stephanie sofria de transtornos como estresse pós-traumático e ansiedade, o que teria prejudicado sua capacidade de reagir aos abusos que sua filha sofria. A defesa sustentou que, em razão desses problemas psicológicos, Stephanie não teria percebido a gravidade da situação, colocando toda a culpa no ex-companheiro.
Durante seu depoimento, Stephanie afirmou que não sabia das agressões sofridas pela filha e que, ao levá-la ao hospital, não tinha ideia da gravidade das lesões. Ela também declarou que, apesar de ser acusada de negligência, nunca chegou a agredir Sophia de maneira grave, limitando-se a dar palmadas leves.
No entanto, testemunhas presentes no julgamento revelaram que, no dia anterior à morte de Sophia, Stephanie e Christian haviam frequentado um bar onde consumiram álcool e cocaína, deixando a criança doente e negligenciada. Embora a defesa tenha negado essas alegações, amigos do casal confirmaram o uso de substâncias ilícitas durante esse período.
O laudo médico apresentado no julgamento revelou que Sophia sofreu um trauma grave no pescoço, o que provocou a morte da criança. Além disso, foram encontrados sinais de abuso sexual, incluindo uma ruptura no hímen da menina, indicando violência prolongada. Um áudio exibido no tribunal também mostrou Christian instruindo Stephanie a sufocar a filha para fazê-la parar de chorar, o que agravou ainda mais a acusação.
O julgamento segue com a oitiva de mais testemunhas.

