O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta quarta-feira (27) sobre a recente polêmica envolvendo o Carrefour e a oposição da França ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Lula criticou a postura da França e reafirmou que, apesar das resistências, o acordo será concluído ainda em 2024. A polêmica surgiu quando a rede de supermercados Carrefour anunciou que deixaria de comprar carne do Mercosul devido a protestos de agricultores franceses, mas recuou após ameaças do agronegócio brasileiro.
Em suas declarações, Lula foi enfático ao afirmar que os franceses “não apitam mais nada” nas negociações, destacando a autoridade da Comissão Europeia para conduzir o processo. O presidente afirmou que o foco do governo não está apenas no aspecto financeiro, mas em concluir uma negociação que já se arrasta há mais de duas décadas. “Eu estou há 22 anos nisso e nós vamos fazer”, afirmou, acrescentando que Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, tem a procuração para fechar o acordo.
A resistência de alguns setores franceses à carne brasileira gerou um confronto direto com o agronegócio nacional, que anunciou boicotes ao Carrefour. A pressão resultou no recuo da rede de supermercados, que voltou atrás na decisão de suspender as compras. Em paralelo, o presidente Lula também aproveitou para discutir as relações do Brasil com os Estados Unidos, reiterando a busca por novos mercados, como Japão e Vietnã, sem criar confrontos com Washington.
Além disso, Lula voltou a criticar a alta taxa de juros, que considera desproporcional diante de uma economia que apresenta crescimento e controle da inflação. O governo brasileiro segue empenhado em concluir o acordo Mercosul-UE, com a expectativa de que os ajustes finais sejam feitos na próxima reunião do bloco, em dezembro, no Uruguai.

