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Entenda o conflito entre o acordo UE-Mercosul e o agronegócio brasileiro

Enquanto produtores franceses pressionam contra o tratado, o Brasil busca equilíbrio entre competitividade e sustentabilidade no comércio internacional.

A recente decisão do Carrefour de suspender a compra de carne do Mercosul em suas lojas francesas reacendeu tensões sobre o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o bloco sul-americano. A medida ocorre em meio a protestos de agricultores franceses contra o tratado, que beneficia principalmente o Brasil.

O acordo UE-Mercosul: O que está em jogo?
Assinado em 2019, o acordo visa eliminar barreiras tarifárias e facilitar a troca comercial entre os dois blocos. Porém, a implementação tem sido adiada devido à falta de consenso. França, Itália e outros países têm exigido revisões e imposto restrições, citando preocupações ambientais e competitividade desigual.

Impactos no Brasil e no agro europeu

Economistas projetam que o Brasil poderia aumentar seu PIB em 0,46% com o acordo, consolidando sua liderança como exportador de carnes, soja e outros produtos agrícolas. Contudo, agricultores europeus argumentam que o tratado criaria uma concorrência desleal, enquanto o Brasil rebate afirmando que suas leis ambientais, como o Código Florestal, são mais rígidas que as normas europeias.

Ainda assim, episódios recentes, como a proibição da soja brasileira pela Danone (posteriormente desmentida), refletem a pressão de consumidores europeus por padrões mais sustentáveis, dificultando as exportações brasileiras.

Entre os principais benefícios para o Brasil estão:

Isenção tarifária para 82% das exportações agrícolas do Mercosul.
Preferência para produtos como carnes, açúcar e etanol.
Redução de entraves sanitários e fitossanitários.
Ainda assim, a Europa continua pressionando por regras mais rigorosas para o cumprimento de metas ambientais, como as do Acordo de Paris, o que poderia dificultar a exportação de produtos brasileiros.

A resistência dos agricultores europeus
Produtores rurais da UE alegam que o tratado traria concorrência desleal, já que o Brasil oferece alimentos mais baratos devido à sua alta produtividade e menor custo de produção. Recentemente, agricultores franceses protestaram com bloqueios, despejo de estrume e ações contra seus governos, exigindo maior proteção ao setor local.

No entanto, economistas destacam que as leis ambientais brasileiras, como o Código Florestal, estão entre as mais rigorosas do mundo, exigindo preservação significativa de vegetação nativa.

Carrefour e outros episódios
Além do Carrefour, empresas como a Danone já insinuaram restrições a produtos brasileiros, citando legislações ambientais. Apesar disso, entidades brasileiras do agronegócio criticaram as medidas, considerando-as protecionistas e prejudiciais ao livre comércio.

O futuro do tratado
O ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, acredita que o acordo pode avançar em breve, com um anúncio esperado na cúpula do Mercosul em dezembro. No entanto, especialistas alertam que os desafios políticos e econômicos continuarão influenciando as negociações.

O acordo UE-Mercosul, se implementado, pode representar um marco no comércio internacional, mas também revela os complexos desafios entre sustentabilidade, competitividade e protecionismo econômico.


 

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